Imagine que o seu corpo físico é apenas a moldura de um quadro, mas a pintura verdadeira transborda para as paredes e para o próprio ar, pois no Tantra a consciência não está encerrada no crânio, mas é o próprio oceano onde a vida boia. Esse oceano é o que chamamos de Cit (a consciência pura e absoluta), o substrato luminoso que precede a matéria e tudo permeia. Os chakras, portanto, não são engrenagens escondidas sob a pele, mas centros de ressonância que flutuam nessa Testemunha eterna que, em seu Spanda (o pulsar vibrante e primordial), sonha o universo. Eles assemelham-se a notas musicais que não pertencem ao instrumento, mas ao silêncio que o som atravessa, compartilhando a mesma gravidade invisível da substância única de onde brota cada átomo. Despir-se das concepções pejorativas é o primeiro passo para encontrar a verdadeira senda tântrica. Longe de ser uma busca por performance, o Tantra é o Tear Vivo da teia e da urdidura, onde a espiritualidade é o fio de seda que atrave...
O mundo contemporâneo transformou a meditação em uma pílula de produtividade. Entre aplicativos de atenção plena e manuais corporativos de redução de estresse, a prática foi domesticada, despida de sua potência disruptiva e reduzida a uma técnica de manutenção do "eu". Esta prosa, porém, convida o leitor a um movimento inverso: não o de se ajustar ao ruído, mas o de se desintegrar no silêncio. Partir dos significados do Ocidente e do Oriente não é apenas um exercício de comparação intelectual, mas uma necessidade de resgate. Enquanto o pensamento ocidental muitas vezes confunde o meditar com o refletir — um "pensar sobre" —, as tradições radicais do Oriente, como o Yoga de Patanjali e o Tantra da Caxemira, apontam para um estado de ser que precede qualquer pensamento. Aqui, a meditação não é uma "lição" a ser aprendida, mas um desaprender constante; não é um troféu para o Ahamkara (ideia de eu), mas a sua própria dissolução. Ao longo desta prosa, o leitor ...