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Mostrando postagens de 2009

Um Errante, mas não tão Errante

Um Errante, mas não tão Errante  Certo dia, o chamado de uma amiga para "aquela gelada" trouxe a urgência de colocar o "tricô" em dia. Escolhemos o asfalto de um buteco qualquer, onde a contenção de despesas encontra a diversão do real. Falávamos de homens, o tema inevitável, até que uma figura exótica atravessou a calçada com um cãozinho de madame. O sujeito, um ator baiano de fala magnética e sonhos de Chef, acabou por lançar uma cantada em minha amiga. Quando o garçom sentenciou o "vamu fecha o ba", mudamos de balcão para a saideira, e foi ali, entre o avanço do ator e o silêncio do outro, que o acompanhante — o ex-skinhead — passou a existir. Ao puxar o fio da conversa, o que emergiu foi a densidade do adharma: aquela ação que desarranja a ordem das coisas, o passo dado fora da cadência universal. Ele entregou a crueza de quem habitou o descaminho, a xenofobia e o ódio; um ser humano atordoado pela opressão de uma sociedade cujas limitações ele mesmo a...

Grande dica para quem pretende praticar Yoga

"Você já sentiu que o Yoga não era para você por não ser 'calmo' ou 'flexível' o suficiente? Muitas vezes, a imagem comercial da prática nos afasta da sua verdadeira essência. O Yoga não é uma performance; é uma tecnologia de libertação. Nas próximas linhas, convido você a despir-se dos pré-julgamentos e descobrir como essa filosofia milenar pode nos ensinar, acima de tudo, a habitar o próprio centro em meio ao caos do mundo." Ouve-se, por entre os ecos das conversas vãs, o sussurro de que o Yoga pertence apenas aos calmos ou aos que possuem corpos de junco, flexíveis ao vento. Grande equívoco. Não se exige a perfeição física para atravessar o portal; o Yoga não pede normas estéticas, pede apenas a coragem de chegar como se é. Embora muitos busquem o tapete pela elasticidade, o Yoga Clássico ensina que o alicerce não reside na postura, mas na conduta. Antes do movimento, a tradição nos oferece os Yamas e Nyamas: bússolas éticas para o mundo externo e para o al...

Tudo depende de um ponto de vista - Parte II

No silêncio de um retiro, onde o corpo se faz templo e o fôlego se torna oração, brotou uma inquietação sobre as aparentes distâncias entre as margens do Samkhya e do Vedanta. De um lado, o olhar que divide para compreender; do outro, o olhar que funde para ser. Diante dessa encruzilhada de conceitos, surgiu uma sabedoria simples e vasta: a de que a verdade não se altera pelo ponto de vista, mas sim pela altura de quem observa. É como o caminhante que contempla a montanha. Quem está na base, entre as raízes e as pedras, descreve o terreno em suas ranhuras e detalhes necessários, discernindo cada sombra e relevo. Mas quem atinge o cume, banhado pelo horizonte, enxerga apenas a unidade da paisagem, onde as trilhas se perdem no todo. Ambas as visões são legítimas, pois descrevem o mesmo solo; ambas são necessárias, pois são a mesma jornada vista de altitudes distintas. Perder-se no labirinto das discussões intelectuais é, por vezes, esquecer que os pés buscam o mesmo destino. Se o objetiv...

E tudo depende de um ponto de vista

Certa vez, em uma aula de Vedanta, fui apresentado a uma reflexão profunda sobre a percepção humana que decidi recontar aqui, sob a minha própria perspectiva, como um conto sobre o "ponto de vista". Um grupo de filósofos cegos debatia fervorosamente sobre a essência de um elefante. Como baseavam suas conclusões estritamente nas experiências dos sentidos remanescentes — tato, olfato e paladar — as divergências eram inevitáveis. Após longas disputas teóricas, decidiram realizar um trabalho de campo: foram conduzidos a uma praça onde repousava uma escultura de madeira representando o animal. O primeiro a se aproximar tateou a orelha da peça e sentenciou que o elefante possuía um formato que muito se assemelhava a uma grande folha de árvore. Logo em seguida, outro filósofo alcançou o marfim e a tromba, retrucando que o animal era, na verdade, uma combinação de chifres rígidos e um nariz extenso como uma mangueira. Um terceiro, ao tocar a barriga da escultura, exclamou que os dema...

Ao meu caro amigo

Ao meu caro amigo, O caminho, em sua essência imutável, permanece o mesmo, ainda que a pele que o habita troque de vestes e de eras. É curioso notar como o hoje sempre foi o ontem disfarçado, uma repetição de ciclos onde a casca muda, mas o desafio central do humano resiste: a árdua e simples tarefa de ser. O que nos afasta dessa trilha, contudo, não são as curvas do destino, mas as máscaras que moldamos no barro do medo. Esse medo, arquiteto da paralisia, atua como um mediador traiçoeiro que nos furta a capacidade de simplesmente existir, ignorando que o sofrimento, como bem articulou Mircea Eliade em seus estudos sobre o Yoga, nasce justamente dessa "dor de existir" — o peso de estar preso ao tempo e às formas. Para o pensamento iogue, essa dor não é um castigo, mas o reconhecimento de que tudo o que é temporal está sujeito ao ciclo de nascimento e morte. Ao buscarmos o "mundo das ideias" como fuga, exercitamos a nossa capacidade de inferir: esse poder fantástico ...

Vivência com Trataka em setembro 2009

Vivência com Trataka em setembro 2009 Neste sábado através do Instituto Nicole Witek, realizei um workshop sobre "Yoga para os Olhos", ou "Resgate da Visão Ocular. Muito mais do que uma proposta fisiológica, o workshop chama a atenção para as propriedades da visão e como conseguimos usá-la nos modos de vida atuais. O workshop foi baseado nas técnicas de Trataka. Trataka significa “fixar o olhar”. A aplicação limpa e exercita os músculos dos nervos ópticos, além de descansar a vista e promover um bom relaxamento. Existem muitos exercícios de trataka, alguns com a visualização de figuras geométrica e outras com a fixação do olhar em alguma parte do corpo ou em uma chama de vela. As primeiras descrições sobre trataka fazem referência do uso de uma lamparina com óleo de castor que produzia um brilho e luminosidade especiais. O olho para os hindus representa um elemento da natureza que é o fogo, sendo que, pela luz a figura é manifestada e pelo calor a forma é reconhecida, fi...

Como é duro andar de ônibus em S. Paulo

Esta é uma correspondência que enviei para Milton Jung, jornalista âncora do Programa CBN S. Paulo. Gostaria de retratar algumas coisas que pude perceber nos percursos que realizo de ônibus, em geral, circulo pela Av. Brigadeiro Luís Antonio centro até o Itaim ou Brigadeiro Luís Antonio para Morumbi. Em geral utilizo muito a linha Terminal Capelinha. Esta linha possui veículos com designer muito esquisito e na minha opinião, super mal planejados. Apesar de oferecerem conforto para embarque porque os degraus não são altos, não facilitaram as coisas quando desenvolveram escadas no espaço que antecede a catraca ou o espaço que nos conduz ao fundo do ônibus, as vezes, o fundo do ônibus é onde está localizada a única porta para desembarque. As poltronas deste tipo de veículo são mais estreitas, reduziram os assentos e há pouco conforto nos encostos, digo, não há como manter boa postura com tais poltronas. Há braços fixos dos quais somados a falta de espaço impedem a mobilidade de quem opta ...

Pretensão

Ao som de Vivaldi e inebriada pelo inverno — que já se despede —, eis que me surge a "Pretensão". Antes de me perder nas digressões que seguem, busquei o abrigo do dicionário: ato ou efeito de pretender; direito suposto e reivindicado; vaidade exagerada; soberba. Houve um tempo em que minhas pretensões eram vastas e pueris. Eu pretendia ganhar na loteria, mudar de país, encontrar o amor idealizado da escola e, contraditoriamente, habitar uma cidade abandonada. Pretendia a imortalidade do conforto: viver sob as asas de minha mãe, blindada contra qualquer dor. Sonhava em largar tudo, morar no mato e, através da poesia, apagar quem eu Era e quem eu Sou. Supus, com a arrogância dos iludidos, que apenas eu possuía sentimentos profundos; que o mundo orbitava o meu próprio umbigo. Por medo de me magoar, pretendi não casar; por medo da responsabilidade, pretendi não ser mãe. No meu teatro interno, eu era o centro: supunha pessoas constantemente ocupadas comigo, sentindo raiva pelo me...

Rave, uma grande experiência

A primeira vez que o eco das raves alcançou meus ouvidos foi pelo tubo catódico da televisão, pintado com as cores alarmistas de uma reportagem que reduzia o fenômeno a um deserto de "bate-estaca" e ao paraíso artificial das substâncias químicas. A narrativa mediática insistia que aquela pulsação mecânica servia apenas como combustível para o êxtase, soldando, no imaginário popular, o ritmo ao vício. Como uma fiel devota do indie rock, ergui muros de reserva em torno dessa aventura; não por puritanismo em relação ao que circula nas veias da noite — afinal, o submundo frequenta tanto os bares sofisticados quanto as pistas de terra —, mas por uma resistência melódica aos sons sintéticos. Minha trajetória, contudo, provou que a experiência é um prisma que depende da luz de cada um: dos valores carregados na mochila da alma e do caminho trilhado até o primeiro passo na grama. Até aquele outono, a curiosidade era uma brasa adormecida, aguardando o sopro do destino. Ele veio pelas ...

Instrutores de Yoga, Seres Herméticos?

Logo que concluí minha formação em Yoga, sentia-me um "ET" — alguém que acabara de descobrir um novo universo, mas que ainda não pertencia totalmente a ele. As práticas e o convívio com meus mentores provocaram transformações profundas; eu estava ávida por transmitir cada descoberta com o entusiasmo de quem acredita, ingenuamente, saber tudo. No entanto, a prática do ensino logo impôs um choque de realidade: no momento de transmitir o que julgamos ter aprendido, as coisas tomam rumos inesperados. Percebi que podemos nos tornar vítimas de nossas próprias teorias, seja pela falta de vivência ou pela parcialidade típica de quem julga em vez de deixar fluir. Nosso "amigo urso", o Ego, exige vigilância constante. Sem esse cuidado, nós, instrutores, corremos o risco de impor verdades sem medir a realidade que cerca quem nos procura. É vital repensar, reavaliar e, acima de tudo, adaptar nossas ideias para transmitir o Yoga com imparcialidade e respeito. Afinal, lidamos com...

Livre Arbítrio - O Karma Yoga

Livre Arbítrio - O Karma Yoga Antigamente, eu concebia o livre-arbítrio como um pássaro em uma gaiola de porta aberta — uma imagem onde a liberdade é um convite silencioso, mas a prisão reside na hesitação da alma em cruzar o umbral. Contudo, o mergulho na filosofia hindu e o estudo do Yoga transformaram essa percepção em algo mais profundo, revelando que a nossa vontade é um movimento sagrado dentro do Maha Lila: o Grande Jogo Divino de Visnu, a inteligência onipresente que sustenta o tecido da realidade e preserva a harmonia entre o nascimento e a dissolução de tudo o que existe. Garuda, a águia majestosa e veículo de Visnu, ilustra essa dinâmica com o peso de suas asas. Certa vez, enquanto aguardava seu senhor em uma assembleia de Deuses, Garuda deixou-se envolver pela exuberância da natureza, deleitando-se com um pequeno pássaro que cantarolava, feliz, entre os galhos. O deleite, porém, transmutou-se em pavor ao avistar Yama, o Senhor da Morte e guardião do Dharma — a ordem ética e...

Pseudo verdade

Sempre que abro a página do Orkut, encontro aquele pequeno retângulo de texto, um espaço quase invisível que insiste: "Sorte de hoje: tarari tarará...". Durante muito tempo, cada vez que meus olhos percorriam aquelas letras, o que restava era o arrependimento. Eu via ali um conteúdo pobre, uma sombra de horóscopo barato, algo que subestimava a minha inteligência ao anunciar o óbvio: "cuidado ao passar pelo buraco", "atenção ao atravessar a rua". Eu sorria com sarcasmo, pensando que não precisava de lembretes sobre como não ser atropelada. Minha segurança era meu escudo. Enfim, desisti. Por algum tempo, fechei os olhos para aquela baboseira e passei a usar a rede apenas para o que me parecia útil: buscar recados ou observar o movimento das comunidades que ainda frequento. Eu acreditava estar acima do ruído. Mas hoje, nem sei por que cargas d’água, resolvi desafiar meu próprio desprezo e li a tal sorte do dia. O impacto foi imediato: "Os tolos e os faná...

Julgamentos e Mal entendidos

O domingo vestia-se de mansidão, um desses dias em que a vida pede para ser saboreada em fogo baixo. Pela calçada da Paulista, o asfalto sob os pés era o palco de uma jornada ruidosa e doce, rumo ao refúgio das memórias de película na Locadora 2001. Minha mãe, cúmplice de passos e de tempo, caminhava ao meu lado sob um céu que parecia concordar com o nosso riso. No semáforo, o mundo parou para nos entregar um espetáculo gratuito: a comédia humana em sua forma mais ébria e terna. De um lado, o equilíbrio precário de um homem que fizera do poste o seu único mastro em mar revolto de álcool; do outro, o zelo de uma mulher, moldada em feminilidade, que tentava ancorar aquele amor naufragado. Rimos. Um riso límpido, de quem contempla o absurdo sem malícia, apenas pelo prazer de ver que o amor, às vezes, tropeça e se levanta. Mas a travessia, esse hiato entre o aqui e o acolá, guardava um espinho. Ao cruzar o olhar com o desconhecido, a poesia do momento foi rasgada por um sotaque ríspido, um...

O humor de cada manhã

Hoje, como muitas das manhãs de minha vida, olhei pela janela, coloquei meu nariz para fora e: Caralho que diazinho!!!! A floresta paulistana cinza como sempre e lá fora um pseudo temporal. Aquela garoa fina que cai como agulha e faz mais estrago do que toró... Ow merrrrrrrrrdaaaaaaaa...Enfim...Lá vai mais um dia. Metade do dia se foi e nem pude perceber, ministrei algumas aulas de Yoga, fiz uma aula de violão e depois ministrei mais uma aula e....Quando dei por mim já era 14hs. Estava com o estomago nas costas e cantarolando a velha e boa música do Beck que me faz lembrar o humor deste "grey day". Compartilho... Fucking with my head I ain't got no inclination give away my sweet sensation sleepin in an old toolshed scumbag cryin' on his pillow when you wanna be with me, then we will see who's fuckin' with my head hey hey hey hey fuckin' with my head hey hey hey hey found myself in New Orleans with a scarecrow in my jeans beat my forehead through the ceilin...

Glutão

Glutão Eis que compartilho dos bons pensamentos que atingiram meu grande amigo "Bardo" Nenhuma verdade é (o)culta. Somente o desejo a oscula assim, Por ter, como vaidade, o não Se encurtar. Cria tanto, crendo ser cura, Mistérios e respostas, Organizadas em grutas, para se alargar, Que, súbito, esquece de continuar com Os preparativos, tão depressa quanto Quando, outrora, invocava presas Para que provassem o Lauto banquete. Logra,roga preparar outros,...Outros...Outros... A começar pela construção de novos Fornos. Como ele mesmo diz:  -Faça da...Vida a magia...Que você é..

Mentira

Mentira é uma declaração feita por alguém que acredita ou suspeita que ela seja falsa, na expectativa de que os ouvintes ou leitores possam acreditar nela. Portanto uma declaração verdadeira pode ser uma mentira se o falante acredita que ela seja falsa; e histórias de ficção, embora falsas, não são mentiras. Dependendo das definições, uma mentira pode ser uma declaração falsa genuína ou uma verdade seletiva, uma mentira por omissão, ou mesmo a verdade se a intenção é enganar ou causar uma ação que não é do interesse do ouvinte. “Mentir” é contar uma mentira. Uma pessoa que conta uma mentira, em especial uma pessoa que conta mentiras com freqüência, é um “mentiroso”. O significado acima, extraí da wikipédia. A pessoa mais mentirosa que conheci na vida se parecia bonzinho, compreensível, prestativo, amigável, tolerante, inteligente e sensível... Ah...e usava até óculos!!!! Mas como uma pessoa com tantas qualidades poderia ser tão mentirosa?  Bem, a conclusão deixo por sua conta, mas ante...

Então cá está a Carta da Terra

Bem, não estou aqui para pegar para mim os méritos da carta da Terra, mas sim compartilhar com você os intuitos dela. Se você não gosta ou possui dificulades em navegar por sites, aqui está o documento mais lindo que já encontrei sobre ética http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/index.html Aqui em baixo eu a copio para sua apreciação, comentário, participação, reflexão e etc. A CARTA DA TERRA PREÂMBULO Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça e...

O que é Carta da Terra?

A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada, voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação. Oferece um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável. Ela reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico equitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis. O documento é resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. O projeto começou como uma iniciativa das Nações Unidas, mas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil. Em 2000 a Comissão da C...

Amor e Meditação

Amor e Meditação On aime d’abord par hasard Par jeu, par curiosité Pour avoir dans un regard Lu des possibilités Et puis comme au fond de soi-même On s’aime beaucoup Si quelqu’un vous aime, on l’aime Par conformité de goût On se rend grâce, on s’invite À partager ses moindres mots On prend l’habitude vite D’échanger de petits mots Quand on a longtemps dit les mêmes On les redit sans y penser Et alors, mon Dieu, on aime Parce qu’on a commencé Tradução A gente começa a amar Por simples curiosidade, Por ter lido num olhar Certa possibilidade. E como, no fundo, a gente Se quer muito bem. Ama quem ama somente Pelo gosto igual que tem. Pelo amor de amar começa A repartir dor por dor, E se habitua depressa A trocar frases de amor. E, sem pensar, vai falando De novo as que já falou, E então continua amando Só porque já começou.” Diz o poeta que começamos a amar por curiosidade, como quem abre uma janela para espiar o que o outro esconde no olhar. Esse início, humano e trêmulo, é o que a tradiç...