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Mostrando postagens de novembro, 2009

Tudo depende de um ponto de vista - Parte II

No silêncio de um retiro, onde o corpo se faz templo e o fôlego se torna oração, brotou uma inquietação sobre as aparentes distâncias entre as margens do Samkhya e do Vedanta. De um lado, o olhar que divide para compreender; do outro, o olhar que funde para ser. Diante dessa encruzilhada de conceitos, surgiu uma sabedoria simples e vasta: a de que a verdade não se altera pelo ponto de vista, mas sim pela altura de quem observa. É como o caminhante que contempla a montanha. Quem está na base, entre as raízes e as pedras, descreve o terreno em suas ranhuras e detalhes necessários, discernindo cada sombra e relevo. Mas quem atinge o cume, banhado pelo horizonte, enxerga apenas a unidade da paisagem, onde as trilhas se perdem no todo. Ambas as visões são legítimas, pois descrevem o mesmo solo; ambas são necessárias, pois são a mesma jornada vista de altitudes distintas. Perder-se no labirinto das discussões intelectuais é, por vezes, esquecer que os pés buscam o mesmo destino. Se o objetiv...

E tudo depende de um ponto de vista

Certa vez, em uma aula de Vedanta, fui apresentado a uma reflexão profunda sobre a percepção humana que decidi recontar aqui, sob a minha própria perspectiva, como um conto sobre o "ponto de vista". Um grupo de filósofos cegos debatia fervorosamente sobre a essência de um elefante. Como baseavam suas conclusões estritamente nas experiências dos sentidos remanescentes — tato, olfato e paladar — as divergências eram inevitáveis. Após longas disputas teóricas, decidiram realizar um trabalho de campo: foram conduzidos a uma praça onde repousava uma escultura de madeira representando o animal. O primeiro a se aproximar tateou a orelha da peça e sentenciou que o elefante possuía um formato que muito se assemelhava a uma grande folha de árvore. Logo em seguida, outro filósofo alcançou o marfim e a tromba, retrucando que o animal era, na verdade, uma combinação de chifres rígidos e um nariz extenso como uma mangueira. Um terceiro, ao tocar a barriga da escultura, exclamou que os dema...