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Mostrando postagens de agosto, 2009

Livre Arbítrio - O Karma Yoga

Livre Arbítrio - O Karma Yoga Antigamente, eu concebia o livre-arbítrio como um pássaro em uma gaiola de porta aberta — uma imagem onde a liberdade é um convite silencioso, mas a prisão reside na hesitação da alma em cruzar o umbral. Contudo, o mergulho na filosofia hindu e o estudo do Yoga transformaram essa percepção em algo mais profundo, revelando que a nossa vontade é um movimento sagrado dentro do Maha Lila: o Grande Jogo Divino de Visnu, a inteligência onipresente que sustenta o tecido da realidade e preserva a harmonia entre o nascimento e a dissolução de tudo o que existe. Garuda, a águia majestosa e veículo de Visnu, ilustra essa dinâmica com o peso de suas asas. Certa vez, enquanto aguardava seu senhor em uma assembleia de Deuses, Garuda deixou-se envolver pela exuberância da natureza, deleitando-se com um pequeno pássaro que cantarolava, feliz, entre os galhos. O deleite, porém, transmutou-se em pavor ao avistar Yama, o Senhor da Morte e guardião do Dharma — a ordem ética e...

Pseudo verdade

Sempre que abro a página do Orkut, encontro aquele pequeno retângulo de texto, um espaço quase invisível que insiste: "Sorte de hoje: tarari tarará...". Durante muito tempo, cada vez que meus olhos percorriam aquelas letras, o que restava era o arrependimento. Eu via ali um conteúdo pobre, uma sombra de horóscopo barato, algo que subestimava a minha inteligência ao anunciar o óbvio: "cuidado ao passar pelo buraco", "atenção ao atravessar a rua". Eu sorria com sarcasmo, pensando que não precisava de lembretes sobre como não ser atropelada. Minha segurança era meu escudo. Enfim, desisti. Por algum tempo, fechei os olhos para aquela baboseira e passei a usar a rede apenas para o que me parecia útil: buscar recados ou observar o movimento das comunidades que ainda frequento. Eu acreditava estar acima do ruído. Mas hoje, nem sei por que cargas d’água, resolvi desafiar meu próprio desprezo e li a tal sorte do dia. O impacto foi imediato: "Os tolos e os faná...

Julgamentos e Mal entendidos

O domingo vestia-se de mansidão, um desses dias em que a vida pede para ser saboreada em fogo baixo. Pela calçada da Paulista, o asfalto sob os pés era o palco de uma jornada ruidosa e doce, rumo ao refúgio das memórias de película na Locadora 2001. Minha mãe, cúmplice de passos e de tempo, caminhava ao meu lado sob um céu que parecia concordar com o nosso riso. No semáforo, o mundo parou para nos entregar um espetáculo gratuito: a comédia humana em sua forma mais ébria e terna. De um lado, o equilíbrio precário de um homem que fizera do poste o seu único mastro em mar revolto de álcool; do outro, o zelo de uma mulher, moldada em feminilidade, que tentava ancorar aquele amor naufragado. Rimos. Um riso límpido, de quem contempla o absurdo sem malícia, apenas pelo prazer de ver que o amor, às vezes, tropeça e se levanta. Mas a travessia, esse hiato entre o aqui e o acolá, guardava um espinho. Ao cruzar o olhar com o desconhecido, a poesia do momento foi rasgada por um sotaque ríspido, um...