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Mostrando postagens de março, 2011

Qualidade de Vida?

Qualidade de Vida? "Ultimamente, a 'Qualidade de Vida' tornou-se uma roupa de grife usada para vestir o vazio. O termo esgarçou-se, transformando-se em um cadáver maquiado pelo marketing do bem-estar. Basta folhear uma revista para encontrar essa miragem lucrativa: vendem-nos a ideia de que a plenitude cabe em um pote de iogurte ou que a felicidade é um acessório de vitrine. É uma armadilha de seda, pois tenta convencer o ser humano de que a vida se resolve no caixa. Mas o que resta quando removemos a embalagem? Antes de prosseguir, deixo-lhe o questionamento: Você possui qualidade de vida ou apenas uma vida com verniz de qualidade? O assunto é um labirinto de espelhos. É difícil encontrar o fio de Ariadne para começar este texto." "Sobreviver exige o básico: o teto, o pão, o pano. Mas na engrenagem do consumo, fomos ensinados a passar fome de coisas inúteis. Para que a vida tenha qualidade, a sociedade precisa de ética — não como um código frio, mas como uma mo...

Consumo?

Consumo? Afinal, você leva para casa o que realmente precisa? Somos livres pensadores, embora muitas vezes esqueçamos disso para atender aos apelos de uma publicidade que, de forma pouco ética, promove produtos tóxicos. Cuidar da Terra não é apenas uma missão de povos originários; é uma obrigação de todos para manter o planeta habitável. Até quando seremos escravos das gôndolas, medindo nossas necessidades por réguas alheias? É preciso analisar o meio ambiente como um todo, compreendendo o mundo globalizado. Muitas vezes, não temos ideia de que, para certos produtos existirem, são necessários recursos naturais e extrações minerais custeadas por terceiros. Celulares que parecem "baratos" ou saem "de graça" em contratos de operadoras escondem um custo invisível: pode ser a mão de obra análoga à escravidão em outro continente ou vilarejos que pagaram com sua biodiversidade pela extração da matéria-prima. Quem realmente custeia o descarte? Qual região do globo recebe o ...

Um panorama sobre os usuários de transporte coletivo

Sou passageira de percursos marcados pelo asfalto e pelo cansaço. Entre o coração da Brigadeiro Luís Antônio e o destino que oscila entre o Itaim e o Morumbi, traço minha rotina sob o signo da linha Terminal Capelinha. Ali, o transporte se apresenta sob um design esquisito, uma arquitetura do equívoco, onde a estética e a lógica parecem ter brigado no papel. O ônibus nos seduz com degraus baixos, um convite suave ao embarque, para logo depois nos trair com escadas internas que brotam antes da catraca, degraus que nos empurram ao fundo do veículo, onde a porta de desembarque se esconde, solitária. As poltronas são sentenças de imobilidade: estreitas, com encostos que negam a espinha e braços fixos que aprisionam quem escolhe a janela. Dizem que o desenho atende à inclusão, mas na urgência da demanda, o que se vê é a exclusão do conforto. O trajeto é um combate. O solo da Brigadeiro, ferido por buracos, soma-se ao humor de motoristas que conduzem não pessoas, mas fardos. São frenagens qu...