Quem comanda o tempo? A palavra tempo, no português, define-se como a duração calculável das coisas e a sucessão limitada de momentos em oposição à eternidade. Mas a forma como habitamos esses intervalos revela muito sobre nossa saúde mental e nossa verdadeira liberdade. Na tradição do Yoga, o tempo cronológico — o relógio que nos dita — é chamado de Kala, mas o sofrimento surge quando nos perdemos nele e esquecemos nossa natureza essencial, que é atemporal. Muitas vezes, somos engolidos por uma ânsia de realizar zilhões de tarefas sem questionar o propósito desse esforço. Vivemos o que Christophe Dejours identifica como a centralidade do trabalho, onde a atividade profissional deixa de ser apenas um meio de subsistência para se tornar o eixo único da identidade. Sob a ótica filosófica, caímos no estado de Rajas: uma agitação frenética que nos faz acreditar que nossa existência só tem valor se estivermos produzindo. É a manifestação de Avidya, a ignorância sobre quem realmente somos al...
"Permitir-se vivenciar: é aí que o Yoga pulsa. Quando a sabedoria dos textos e o olhar do autoestudo se transformam em ação na pele, a técnica ganha vida. Isso é a práxis yogui: o tapetinho como um laboratório vivo e um caminho sagrado para a liberdade."