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Mostrando postagens de outubro, 2009

Ao meu caro amigo

Ao meu caro amigo, O caminho, em sua essência imutável, permanece o mesmo, ainda que a pele que o habita troque de vestes e de eras. É curioso notar como o hoje sempre foi o ontem disfarçado, uma repetição de ciclos onde a casca muda, mas o desafio central do humano resiste: a árdua e simples tarefa de ser. O que nos afasta dessa trilha, contudo, não são as curvas do destino, mas as máscaras que moldamos no barro do medo. Esse medo, arquiteto da paralisia, atua como um mediador traiçoeiro que nos furta a capacidade de simplesmente existir, ignorando que o sofrimento, como bem articulou Mircea Eliade em seus estudos sobre o Yoga, nasce justamente dessa "dor de existir" — o peso de estar preso ao tempo e às formas. Para o pensamento iogue, essa dor não é um castigo, mas o reconhecimento de que tudo o que é temporal está sujeito ao ciclo de nascimento e morte. Ao buscarmos o "mundo das ideias" como fuga, exercitamos a nossa capacidade de inferir: esse poder fantástico ...