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Mostrando postagens com o rótulo #Yoga

O Misticismo Insubmisso: O Despertar do Avadhuta além das Doutrinas e Logos

O que você encontrará a seguir não é um convite ao relaxamento passivo, mas um chamado à autonomia radical. Buscamos resgatar a espinha dorsal das práticas ancestrais, despojando-as das roupagens comerciais para revelar a tecnologia da consciência em sua forma mais crua e potente. Este texto é um manifesto para aqueles que não buscam o conforto da crença, mas o rigor da experiência direta. Em sua essência mais pura, o misticismo não é uma fuga da realidade ou um arrebatamento místico-emocional; é o reconhecimento de que a consciência individual e a consciência cósmica compartilham a mesma substância. A ideia central do misticismo real repousa no colapso da dualidade entre o observador e o observado. Não se trata de alcançar um lugar distante, de se submeter a forças externas ou de buscar uma união devocional com o divino — o que pressuporia uma separação inicial. O misticismo tântrico opera pelo princípio do reconhecimento ( Pratyabhijna ): o despertar para uma identidade absoluta que ...

Pratiprasava: A Dança de Morte e Ressurreição das Linhagens de Yoga e Tantra sob o Solo Brasileiro

  Nas águas profundas da história, o Yoga e o Tantra operam sua Pratiprasava (processo de involução das qualidades da natureza que encerra a manifestação fenomenológica), ciclo que se inicia na ruptura entre os séculos VIII e X d.C., quando o Tantra se torna uma escolástica pesada nos monastérios de Nalanda e Vikramshila. Nesse cenário, surgem os Mahasiddhas (grandes seres realizados), figuras como Saraha e Tilopa, que abandonam os rituais castrados das elites para praticar nos campos de cremação; eles subvertem a autoridade sacerdotal em favor da experiência bruta da vacuidade. Dessa mesma raiz brota o gênio de Abhinavagupta (século X, Caxemira), que sistematiza o Anupaya — a via do 'não-método' — onde o reconhecimento imediato da Realidade (Pratyabhijna) torna o esforço técnico supérfluo. Para Abhinavagupta, essa via preserva a Soberania absoluta da Consciência (Svatantrya) frente às limitações do Ahamkara (o princípio de individuação), desconstruindo a necessidade de valida...

O Tantra como Estética da Libertação e a Cura da Miopia Ocidental.

  O Tantra como Estética da Libertação e a Cura da Miopia Ocidental. A consciência repousa no abismo de Shiva (a realidade absoluta, o substrato de pura luz), o silêncio onde o Ser é um estado de Prakasha (o brilho autoluminoso da consciência) que o Shaivismo da Caxemira — a joia não-dualista do Tantra — preserva como o mistério da imanência absoluta. Antes que o tempo fosse contado, as sementes desta sabedoria já germinavam nas margens do Rio Indo, em cultos ancestrais pré-arianos, muito antes de sua sistematização entre os séculos VI e IX d.C., quando o Tantra (etimologicamente a teia, o tear ou o que expande o conhecimento) surgiu como uma reação vibrante ao exclusivismo dos ritos védicos, tecendo a espiritualidade na própria carne do mundo. Diferente do Vedanta que reconhece o mundo material (vyavahara) como empírica ou funcionalmente real. Você não ignora uma parede ao caminhar, mas qualifica a realidade da matéria de maneira diferente, o sábio da Caxemira afirma que o univers...

Arjuna diante de uma covardia moral?

  Arjuna diante de uma covardia moral? Saudações caros leitores. Depois de algumas batalhas psíquicas que travei, volto com essa articulação do Bhagavad Gita com a psicanálise. O destaque é para o guerreiro Arjuna  forte e corajoso, porém vulnerável; nobre, mas confuso, contudo, no momento crítico da peleja, a coragem dele cede lugar a uma profunda angústia, a desolação de ver a destruição da família.  No coração do vasto épico Mahabharata, quando os exércitos Kurukshetra se encontram e o estrondo das conchas de guerra anuncia o apocalipse de uma era, o Bhagavad Gita emerge como uma canção divina, um respiro de luz no meio da escuridão iminente. Não é apenas o relato de uma batalha física, mas o diálogo profundo entre a alma humana, representada pelo guerreiro Arjuna, e a consciência suprema, manifestada na forma de Krishna, seu cocheiro.  Essa obra é uma marco na minha vida por ser meu primeiro contato com yoga que ocorreu em minha adolescência. Espero que você desf...