Desde de criancinha o grande embate entre mim e minha mãe era...Consumir o maldito bife acebolado mal passado.
O fato é que cozido, bem cozido, de primeira ou de segunda, não fazia diferença. Consumir carne para mim sempre foi um sacrifício.
A minha intimidade com comida também não era muito diferente. Apesar de passar horas de castigo por várias vezes em frente ao prato, não solucionou o meu problema, sou ruim de prato mesmo.
Diz minha mãe que esta nunca me foi a hora sagrada, sempre que ela me chamava para comer eu fazia cara feia e resmungava muito, e quando a refeição estava acompanhada de carne então, pior ainda, isto era um suplício.
É estranho imaginar que alguém possa pensar e agir assim. Meu prazer estava comer as coisas coloridas, cenouras, a mandioquinha, o brocólis "mal passado" e etc.
É caro leitor, você até pode me comparar com aquela criança de um certo comercial que afirmava:
- Mãe compra brocólis!
Talvez ela exista uma em um milhão, mas que existe, existe e eu sou prova viva disto.
Por favor, não tenham pena da gente. Comemos tudo que vocês comem, apenas não temos prazer em comer carne.
Aos 12 anos conheci uma professora que se declarou vegetariana e aquilo foi o máximo para mim, me deu uma sensação de acolhimento e comecei a não me sentir tão estranha, afinal eu ia na casa dos amiguinhos e tinha carne. Eles adoravam dispensar os vegetais e comiam a carne por último.
Enfim, minha mãe modificou a forma de insistir na ingestão, apesar de ter me deixado aparentemente com livre escolha, nunca deixou de me oferecer ou fazer com que eu comesse misturado aos feijões ou sopas por exemplo.
Mas este é o papel de muitas mães. Elas se preocupam com a saúde de seus filhos. Não me restava outra alternativa a não ser tentar conviver da melhor forma possível com aquilo.
Muitas vezes não havia escolha, minha mãe não tinha tempo de ir a feira e então eu tinha de me submeter a contra-gosto, enfim, no momento de sobrevivência os padrões de escolhas mudam. Mas diz minha mãe que ainda assim eu preferia consumir a cebola e oferecia minha porção de bife a ela. Ela me disse que eu sempre negociava estas coisas, me dê sua porção de vegetais em troca deste maldito bife.
Já na vida adulta a coisa se intensificou com o Hatha Yoga. Acho que minha sensibilidade aumentou e então a rejeição a carne aumentou muito. Pensei comigo que este seria o momento ideal para deixar de vez o consumo de carne, já que meu consumo era super espaçado e não via sacrífios nesta decisão, muito pelo contrário, havia alívio e bem estar.
Deixei definitivamente de comer sem peso, sem culpa e principalmente sem sacrificios como muitos pensam ou como muitos fazem. Para que maltratar o corpo?
Bem, o primeiro desafio para aquele que se declara vegetariano é exatamente este, declarar-se.
As primeiras vezes que fiz isto me senti péssima, primeiro pelos debates e dilemas que foram levantados quando me declarei vegetariana, segundo pelo mal estar dos amigos em me receber, afinal eu começaria a dar trabalho, trabalho porque este mesmos amigos, não imaginavam que eu comia tudo que um carnívoro come como: arroz, feijão, batata fritas e etc.
O mais engraçado é que estes mesmos amigos nunca perceberam que quando nos reuníamos para comer pizza, lasanha ou coisa que o valha, eu sempre tinha a tendência de pedir coisas com verdura ou quatro queijos; pedia molhos ao sugo, ou rosé.
Enfim, nada havia mudado na verdade, mas a minha declaração fez as pessoas mudarem comigo. Senti meus amigos com mal estar por não saber o que servir a mim e culpa por comerem carne, e olha que nem levantei discursos calorosos em defesa dos animais. As vezes o assunto perdurava a noite toda, ou a tarde toda quando se tratava de almoço. A vida não poderia continuar assim, seria pesado o "conviver" e desagradável.
Meu segundo grande desafio seria então fazer o caminho de volta, ficar quieta, não dizer qualquer coisa sobre "Ser vegetariana". Pensei que sempre haveria alternativas, e na falta de opção, eu ainda teria como dizer que estava com indisposição estomacal e então me safaria nas saladas ou coisa que o valha.
Teoricamente havia encontrado um consenso sem abalar meus convívios sociais. E olha que nem vegana eu sou.
Terceiro grande desafio, é lidar com pessoas carnívoras e gentis. Este foi o maior suplício de todos.
Ano passado fui a casa de praia de um casal de alunos que são bem bacanas, numa das noites eles resolveram fazer pizza, para minha grande sorte, eles preparam também pizza de queijo. Até este momento a minha teoria estava em perfeito funcionamento, era só me servir do que eu gostava, não tinha erro.
A coisa não foi tão boa assim quanto pensei, a anfitriã com seus modos de "tia do interior" aterrizou em meu prano a contra gosto, digo aquele jogo de empurra, coma mais um pedaço, só faltou a famosa frase, estou mandando; a pizza era de atum. Caramba, como resolver isto? Eu não esperava por este tipo de coisa.
Quando isto aconteceu, lembrei-me de um episódio no qual minha tia avó me colocou no prato um pedaço de bife a rolê, no primeiro pedaço ingerido não pude evitar, vomitei na mesa de um almoço de família, ou seja, estraguei o almoço de todo mundo.
Bem, mas voltando ao episódio na casa da aluna anfitriã, pensei que naquele momento, diante de um prato de pizza de atum o mesmo aconteceria, o pedaço de pizza desceu e subiu várias vezes pelo meu esófago, que desespero. Sobrevivi!
Logo que pude escapar da mesa fui ao banheiro, e, sem medo de ser feliz, coloquei toda a pizza para fora. Alívio imediato e uma certa preocupação, afinal, o que me aguardaria no dia seguinte? Pensei comigo: Tô ferrada!
Tudo bem, no outro dia tive a desculpa de ter me esbaldado num grão de bico em salada. Ufa! Esta foi por pouca, e para minha grande felicidade, até os carnívoros reclamavam da carne que foi servida no almoço.
Mas....Tempos depois esta mesma aluna com costumes de "tia do interior" me convidou para um jantar. Pensei comigo, será fácil me safar, mas tinha me esquecido do episódio da pizza de atum. Que droga por que fui esquecer disto?
As pessoas são bacanas e gentis até demais, principalmente as anfitriãs com espírito de "tia avó" que querem tacar tudo no prato de uma criança de 34 anos, faça-me o favor né? E até parece que eu tenho problemas de vergonha, eu me sirvo do que eu gosto e na medida que acho que devo comer. Enfim!!!!
A trancos e barrancos encarei o desafio do jantar, afinal não posso viver sem resolver este dilema. Tudo estava tranquilo, dois tipos de berinjelas, salada e um arroz com espinafre. Maravilha isto é tudo que eu precisava, do outro lado, bem distante de mim, uma maldita travessa de bife a parmegiana.
Bem, nem preciso dizer o que a anfitriã fez né? Claro, ergueu uma super vaca em direção ao meu prato. Cruzes! Eu disse: Não obrigada não quero, ela insistiu numa maldade invisível e tudo que eu gostaria era cortar a mão dela antes de chegar até meu prato. Quanta violência na minha mente.
Então eu disse a ela, por favor corte, é muito grande, ela cortou desigualmente e claro, veio com o maldito pedaço maior em minha direção, eu disse não quero, por favor o menor. Eca! Quanto me custou comer aquele maldito pedaço menor e para minha total desgraça estava mal passado. Isto não foi um jantar, foi um castigo terrível.
Dia seguinte, lavagem intestinal, gosto ruim na boca, modificações na pele e vida atribulada no estômago, apenas por um pequeno pedaço de bife a parmegiana. Só quem tem um organismo como o meu é capaz se saber o que estou afirmando, caso contrário, desista, seja feliz com seu lado carnívoro, ninguém será capaz de compreender o outro em sua totalidade.
Resumo da ópera, não gostaria de ser desagradável com as pessoas que não são vegetarianas, mas elas são com a gente e mesmo de forma invisível, como chegar a um consenso de forma a agradar gregos e troianos?
Talvez eu não tenha que deixar de declarar, ou talvez arrume meios para comunicar isto sem criar tantos embates. Talvez eu tenha de aceitar apenas convites de pessoas das quais conheça os hábitos, sei lá. Talvez eu deva propor as pessoas a comer fora e sinalizar um restaurante do meu gosto.
Enfim, há formas de resolver a situação certamente, usar a comunicação mais adulta e seguir em frente sem ferir os outros e também a si próprio.
Gostaria de afirmar aos instrutores de yoga e praticantes que um bom yogui não se faz pelo o consumo de carne ou não, mas pelas atitudes que tem relação ao outro.
A violência nem sempre está ligada a violência que o animal sofreu, eu mesma me vi cerrando o pulso da aluna anfitriã quando veio me servir de carne.
Se carnívoros fosse sinonimo de passividade e falta de violência, Hitler não teria matado tanto judeu, afinal o dito cujo era vegetariano.
Você que adotou o vegetarianismo por razões políticas, pense melhor a respeito disto, não sou a dona da verdade, mas está correto maltratar tanto do seu corpo? E você que nem tinha tanto hábito de variar a alimentação na família de grãos e vegetais acha que está fazendo algum bem a não ser se suicidar aos poucos?
E quantos instrutores que encaram esta de deixar de comer carne e surgem com problemas de anemia? Tá correto isto, mesmo com o trabalho consciente do corpo? Mas cadê a inteligência corpo e mente?
A minha dica é: torne-se vegetariano se isto tiver sentido e se for possível, não por ideais de um grupo ou coisa que o valha, converse com seu corpo e sinta se realmente isto é necessário.
Estude os hábitos de família e seu histórico de vida, não vá contra sua natureza, se não rolar ser vegetariano desta vez, venha em outra encadernação e tente ser.
A Índia certamente quando adotou a "sacralização" da vaca fez valer tais motivos. Não se sabe desde quando esta sacralização ocorreu, mas o país sempre apresentou altos índices populacionais, fome e miséria, claro que é muito mais sábio e digno manter uma vaca que produz leite e derivados viva, do que matá-la e comer por poucos dias e nos demais morrer mais ainda de fome.
É importante medir o contexto onde estamos enquadrados e contexto do indiano.
Há vários institutos que apresentam matérias importantes sobre a não violência com os animais e o consumo inteligente de vegetais e etc e tals. Mas, não deixem de estudar a si mesmo. Os hábitos alimentares que não possuem familiaridade com vegetais poderá sofrer com a opção de se tornar vegetariano.
Ah! Conheço muitas pessoas que se tornaram veganas do dia para noite. Fantástico! Não apresentaram problemas, mas tome cuidado, se você é do tipo que não gosto disto ou daquilo, está fadado a sofrer com o insucesso no vegetarianismo.
Outros esclarecimentos importantes:
Vegano: é aquele que não se alimenta de qualquer coisa de origem animal
Ovo-lacteo: é aquele que inclui proteínas animas somente através de ovo, leite e derivados. Este é meu caso.
Há ainda aqueles que só se alimentam de frutas, dentre outras vertentes vegetarianas.
Mas atenção, quem come só carne branca como peixe ou frango NÃO É VEGETARIANO. Não viaja! Já viu xuxu nadando ou tomate voando? Faça-me o favor né?
Quem corme carne, vermelha ou branca é carnívoro. E a vocês viajantes, não esqueçam que o peixe também sangra, a galinha e etc, ok? Pare de ser hipócrita.
Ninguém pode ser punido por ser carnívoro e a matança de animais ocorrer de forma tão violenta; muito menos nós vegetarianos podemos ser punidos por sentirmos sutilezas no corpo e espírito, ou por ideais políticos.
O fato é que cozido, bem cozido, de primeira ou de segunda, não fazia diferença. Consumir carne para mim sempre foi um sacrifício.
A minha intimidade com comida também não era muito diferente. Apesar de passar horas de castigo por várias vezes em frente ao prato, não solucionou o meu problema, sou ruim de prato mesmo.
Diz minha mãe que esta nunca me foi a hora sagrada, sempre que ela me chamava para comer eu fazia cara feia e resmungava muito, e quando a refeição estava acompanhada de carne então, pior ainda, isto era um suplício.
É estranho imaginar que alguém possa pensar e agir assim. Meu prazer estava comer as coisas coloridas, cenouras, a mandioquinha, o brocólis "mal passado" e etc.
É caro leitor, você até pode me comparar com aquela criança de um certo comercial que afirmava:
- Mãe compra brocólis!
Talvez ela exista uma em um milhão, mas que existe, existe e eu sou prova viva disto.
Por favor, não tenham pena da gente. Comemos tudo que vocês comem, apenas não temos prazer em comer carne.
Aos 12 anos conheci uma professora que se declarou vegetariana e aquilo foi o máximo para mim, me deu uma sensação de acolhimento e comecei a não me sentir tão estranha, afinal eu ia na casa dos amiguinhos e tinha carne. Eles adoravam dispensar os vegetais e comiam a carne por último.
Enfim, minha mãe modificou a forma de insistir na ingestão, apesar de ter me deixado aparentemente com livre escolha, nunca deixou de me oferecer ou fazer com que eu comesse misturado aos feijões ou sopas por exemplo.
Mas este é o papel de muitas mães. Elas se preocupam com a saúde de seus filhos. Não me restava outra alternativa a não ser tentar conviver da melhor forma possível com aquilo.
Muitas vezes não havia escolha, minha mãe não tinha tempo de ir a feira e então eu tinha de me submeter a contra-gosto, enfim, no momento de sobrevivência os padrões de escolhas mudam. Mas diz minha mãe que ainda assim eu preferia consumir a cebola e oferecia minha porção de bife a ela. Ela me disse que eu sempre negociava estas coisas, me dê sua porção de vegetais em troca deste maldito bife.
Já na vida adulta a coisa se intensificou com o Hatha Yoga. Acho que minha sensibilidade aumentou e então a rejeição a carne aumentou muito. Pensei comigo que este seria o momento ideal para deixar de vez o consumo de carne, já que meu consumo era super espaçado e não via sacrífios nesta decisão, muito pelo contrário, havia alívio e bem estar.
Deixei definitivamente de comer sem peso, sem culpa e principalmente sem sacrificios como muitos pensam ou como muitos fazem. Para que maltratar o corpo?
Bem, o primeiro desafio para aquele que se declara vegetariano é exatamente este, declarar-se.
As primeiras vezes que fiz isto me senti péssima, primeiro pelos debates e dilemas que foram levantados quando me declarei vegetariana, segundo pelo mal estar dos amigos em me receber, afinal eu começaria a dar trabalho, trabalho porque este mesmos amigos, não imaginavam que eu comia tudo que um carnívoro come como: arroz, feijão, batata fritas e etc.
O mais engraçado é que estes mesmos amigos nunca perceberam que quando nos reuníamos para comer pizza, lasanha ou coisa que o valha, eu sempre tinha a tendência de pedir coisas com verdura ou quatro queijos; pedia molhos ao sugo, ou rosé.
Enfim, nada havia mudado na verdade, mas a minha declaração fez as pessoas mudarem comigo. Senti meus amigos com mal estar por não saber o que servir a mim e culpa por comerem carne, e olha que nem levantei discursos calorosos em defesa dos animais. As vezes o assunto perdurava a noite toda, ou a tarde toda quando se tratava de almoço. A vida não poderia continuar assim, seria pesado o "conviver" e desagradável.
Meu segundo grande desafio seria então fazer o caminho de volta, ficar quieta, não dizer qualquer coisa sobre "Ser vegetariana". Pensei que sempre haveria alternativas, e na falta de opção, eu ainda teria como dizer que estava com indisposição estomacal e então me safaria nas saladas ou coisa que o valha.
Teoricamente havia encontrado um consenso sem abalar meus convívios sociais. E olha que nem vegana eu sou.
Terceiro grande desafio, é lidar com pessoas carnívoras e gentis. Este foi o maior suplício de todos.
Ano passado fui a casa de praia de um casal de alunos que são bem bacanas, numa das noites eles resolveram fazer pizza, para minha grande sorte, eles preparam também pizza de queijo. Até este momento a minha teoria estava em perfeito funcionamento, era só me servir do que eu gostava, não tinha erro.
A coisa não foi tão boa assim quanto pensei, a anfitriã com seus modos de "tia do interior" aterrizou em meu prano a contra gosto, digo aquele jogo de empurra, coma mais um pedaço, só faltou a famosa frase, estou mandando; a pizza era de atum. Caramba, como resolver isto? Eu não esperava por este tipo de coisa.
Quando isto aconteceu, lembrei-me de um episódio no qual minha tia avó me colocou no prato um pedaço de bife a rolê, no primeiro pedaço ingerido não pude evitar, vomitei na mesa de um almoço de família, ou seja, estraguei o almoço de todo mundo.
Bem, mas voltando ao episódio na casa da aluna anfitriã, pensei que naquele momento, diante de um prato de pizza de atum o mesmo aconteceria, o pedaço de pizza desceu e subiu várias vezes pelo meu esófago, que desespero. Sobrevivi!
Logo que pude escapar da mesa fui ao banheiro, e, sem medo de ser feliz, coloquei toda a pizza para fora. Alívio imediato e uma certa preocupação, afinal, o que me aguardaria no dia seguinte? Pensei comigo: Tô ferrada!
Tudo bem, no outro dia tive a desculpa de ter me esbaldado num grão de bico em salada. Ufa! Esta foi por pouca, e para minha grande felicidade, até os carnívoros reclamavam da carne que foi servida no almoço.
Mas....Tempos depois esta mesma aluna com costumes de "tia do interior" me convidou para um jantar. Pensei comigo, será fácil me safar, mas tinha me esquecido do episódio da pizza de atum. Que droga por que fui esquecer disto?
As pessoas são bacanas e gentis até demais, principalmente as anfitriãs com espírito de "tia avó" que querem tacar tudo no prato de uma criança de 34 anos, faça-me o favor né? E até parece que eu tenho problemas de vergonha, eu me sirvo do que eu gosto e na medida que acho que devo comer. Enfim!!!!
A trancos e barrancos encarei o desafio do jantar, afinal não posso viver sem resolver este dilema. Tudo estava tranquilo, dois tipos de berinjelas, salada e um arroz com espinafre. Maravilha isto é tudo que eu precisava, do outro lado, bem distante de mim, uma maldita travessa de bife a parmegiana.
Bem, nem preciso dizer o que a anfitriã fez né? Claro, ergueu uma super vaca em direção ao meu prato. Cruzes! Eu disse: Não obrigada não quero, ela insistiu numa maldade invisível e tudo que eu gostaria era cortar a mão dela antes de chegar até meu prato. Quanta violência na minha mente.
Então eu disse a ela, por favor corte, é muito grande, ela cortou desigualmente e claro, veio com o maldito pedaço maior em minha direção, eu disse não quero, por favor o menor. Eca! Quanto me custou comer aquele maldito pedaço menor e para minha total desgraça estava mal passado. Isto não foi um jantar, foi um castigo terrível.
Dia seguinte, lavagem intestinal, gosto ruim na boca, modificações na pele e vida atribulada no estômago, apenas por um pequeno pedaço de bife a parmegiana. Só quem tem um organismo como o meu é capaz se saber o que estou afirmando, caso contrário, desista, seja feliz com seu lado carnívoro, ninguém será capaz de compreender o outro em sua totalidade.
Resumo da ópera, não gostaria de ser desagradável com as pessoas que não são vegetarianas, mas elas são com a gente e mesmo de forma invisível, como chegar a um consenso de forma a agradar gregos e troianos?
Talvez eu não tenha que deixar de declarar, ou talvez arrume meios para comunicar isto sem criar tantos embates. Talvez eu tenha de aceitar apenas convites de pessoas das quais conheça os hábitos, sei lá. Talvez eu deva propor as pessoas a comer fora e sinalizar um restaurante do meu gosto.
Enfim, há formas de resolver a situação certamente, usar a comunicação mais adulta e seguir em frente sem ferir os outros e também a si próprio.
Gostaria de afirmar aos instrutores de yoga e praticantes que um bom yogui não se faz pelo o consumo de carne ou não, mas pelas atitudes que tem relação ao outro.
A violência nem sempre está ligada a violência que o animal sofreu, eu mesma me vi cerrando o pulso da aluna anfitriã quando veio me servir de carne.
Se carnívoros fosse sinonimo de passividade e falta de violência, Hitler não teria matado tanto judeu, afinal o dito cujo era vegetariano.
Você que adotou o vegetarianismo por razões políticas, pense melhor a respeito disto, não sou a dona da verdade, mas está correto maltratar tanto do seu corpo? E você que nem tinha tanto hábito de variar a alimentação na família de grãos e vegetais acha que está fazendo algum bem a não ser se suicidar aos poucos?
E quantos instrutores que encaram esta de deixar de comer carne e surgem com problemas de anemia? Tá correto isto, mesmo com o trabalho consciente do corpo? Mas cadê a inteligência corpo e mente?
A minha dica é: torne-se vegetariano se isto tiver sentido e se for possível, não por ideais de um grupo ou coisa que o valha, converse com seu corpo e sinta se realmente isto é necessário.
Estude os hábitos de família e seu histórico de vida, não vá contra sua natureza, se não rolar ser vegetariano desta vez, venha em outra encadernação e tente ser.
A Índia certamente quando adotou a "sacralização" da vaca fez valer tais motivos. Não se sabe desde quando esta sacralização ocorreu, mas o país sempre apresentou altos índices populacionais, fome e miséria, claro que é muito mais sábio e digno manter uma vaca que produz leite e derivados viva, do que matá-la e comer por poucos dias e nos demais morrer mais ainda de fome.
É importante medir o contexto onde estamos enquadrados e contexto do indiano.
Há vários institutos que apresentam matérias importantes sobre a não violência com os animais e o consumo inteligente de vegetais e etc e tals. Mas, não deixem de estudar a si mesmo. Os hábitos alimentares que não possuem familiaridade com vegetais poderá sofrer com a opção de se tornar vegetariano.
Ah! Conheço muitas pessoas que se tornaram veganas do dia para noite. Fantástico! Não apresentaram problemas, mas tome cuidado, se você é do tipo que não gosto disto ou daquilo, está fadado a sofrer com o insucesso no vegetarianismo.
Outros esclarecimentos importantes:
Vegano: é aquele que não se alimenta de qualquer coisa de origem animal
Ovo-lacteo: é aquele que inclui proteínas animas somente através de ovo, leite e derivados. Este é meu caso.
Há ainda aqueles que só se alimentam de frutas, dentre outras vertentes vegetarianas.
Mas atenção, quem come só carne branca como peixe ou frango NÃO É VEGETARIANO. Não viaja! Já viu xuxu nadando ou tomate voando? Faça-me o favor né?
Quem corme carne, vermelha ou branca é carnívoro. E a vocês viajantes, não esqueçam que o peixe também sangra, a galinha e etc, ok? Pare de ser hipócrita.
Ninguém pode ser punido por ser carnívoro e a matança de animais ocorrer de forma tão violenta; muito menos nós vegetarianos podemos ser punidos por sentirmos sutilezas no corpo e espírito, ou por ideais políticos.
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