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Sim Sou Focada mas...

Sim Sou Focada mas...


Assim que voltei da Índia, no começo de fevereiro de 2012, muitas pessoas que encontrei me disseram:
— "Nossa, como você é focada! Você idealizou sua ida e realizou. Você conseguiu ir para a Índia, nem acredito!"

Confesso que estas frases me deixaram com medo. Medo porque me preocupo com este tipo de pensamento que simplifica o processo. É uma doce ilusão pensar na viagem apenas pela viagem, ou focar meramente no resultado da conquista. Afinal, o que será que passei — e o que ainda estou passando — para realizar esta jornada?

O fato de ter realizado "a viagem" tem relação direta com minha prática pessoal de Yoga; isso transformou minha vida. A mente focada e a energia de conquista se solidificaram em 11 anos de prática. É uma jornada pequena para quem pensa, como eu, que todos os dias há sempre o que aprender. Para o Samkhya, somos o observador (Purusha) aprendendo a não se escravizar pelas flutuações da natureza (Prakriti), e minha viagem foi o campo de prova desse discernimento.

Venci muitas características presentes em qualquer "pobre mortal". Tive de enfrentar os obstáculos que Patanjali descreve nos Yoga Sutras: a preguiça (styana), os desânimos, as tristezas, a mente confusa e as oscilações dos Gunas — ora com excesso de energia (rajas), ora com falta dela (tamas). Antes de vencer tudo isto, tive de desenvolver a real auto disciplina (Tapas).

A autodisciplina é muito mais que um discurso; é algo que consegui realmente "sentir" e, principalmente, aplicar com veracidade (Satya) e com o coração no meu dia a dia. Reaprendi que, sem o Hatha Yoga e a meditação, seria impossível organizar minhas ideias, administrar minha energia e praticar o Viveka (discernimento), focando no que realmente posso realizar.
Acredito que é fundamental estar presente, reconhecer o que realmente se passa à volta, ouvir e falar apenas quando necessário. Às vezes, praticar o silêncio para, literalmente, administrar a energia vital. Percebi, do fundo do meu coração, que lamentar a vida demanda muita energia; comparar-se com a vida alheia, então, consome-nos ainda mais.

Hoje, sigo meu fluxo, ocupando-me com soluções e menos lamentações. Quando o desânimo chega, sou firme. Busco reforçar minhas práticas para restabelecer a energia psicofísica e busco o contato com a natureza, criando situações externas que possibilitem novas conexões mentais. Reflito sempre: se quero algo novo, preciso lidar com o velho — as coisas que pesam e embotam a mente. Como ensina o Vedanta, para reconhecer nossa verdadeira natureza, precisamos desapegar das identificações que não nos servem mais. Simples assim.

Claro que não é tão simples na prática, mas, ao invés de sentar e medir as dualidades infinitas do universo relativo (dvandas), trago ao presente questões práticas:
O que preciso fazer agora?
Quais atitudes éticas (Yamas) e necessárias são exigidas para realizar tal coisa?

Desenvolvi a capacidade de reconhecer minhas aptidões e talvez ser mais honesta comigo mesma. Como muitos, eu gostaria de fazer "zilhares" de coisas, mas a veracidade comigo mesma me mostrou que nem tudo é possível ou condizente com meu ritmo e habilidades reais. Aprendi a me comprometer com o que sou verdadeiramente capaz de executar, após uma investigação honesta sobre quem eu sou e qual o meu alcance. Concluí que, mesmo trabalhando com o que amo, as dificuldades da profissão e a necessidade de disciplina e foco permanecem as mesmas.

Outro ponto crucial é o excesso de expectativas. Todos sabemos que os resultados raramente espelham nossos desejos. Se não conquistamos a habilidade de lidar com as frustrações, ficamos entregues ao medo. A mente começa a fazer ligações com o passado, confunde-se com anseios futuros e, nesse "gira-gira" de possibilidades, bloqueia o processo criativo.

A minha grande dica é: conheça-se profundamente. Observe sua árvore familiar, estude suas características e a qualidade de sua mente. Minha "super dica" é: cuidado com o controle. Reflita sobre as ações, mas não se apegue apenas aos resultados. No pensamento do Karma Yoga, temos direito à ação, mas não aos frutos dela. Quem foca só no resultado ignora as ações necessárias para a realização. E, como diz o ditado: "Não há almoço grátis".

Uma pessoa realmente focada está preparada para receber um "não" e aceitar resultados inesperados. Isso nunca lhe retira o foco; pelo contrário, faz com que ela reflita sobre novas e mais conscientes ações.

Boa reflexão!

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