Pare
Houve um dia em que me vi mergulhada no fluxo de situações que insistiam em se repetir, como ecos de uma canção antiga que eu já não desejava ouvir. Após longos dias em silêncio, de uma análise que atravessou as camadas da alma, cheguei a uma única palavra, absoluta e necessária: "Pare". Ao desenvolver esse pensamento, percebi que esse silenciar era o despertar do meu Purusha, a consciência que observa além do movimento. Parei e observei tudo à minha volta, questionando se as repetições eram fios tecidos pelo passado, e a resposta ressoou com clareza: sim, é muito provável.
Não se tratava apenas de uma conexão com eventos idos, mas de uma amarra profunda aos Samskaras, aquelas sequelas e impressões que o tempo gravou em meu ser. Compreendi que, ao não refletir, eu permitia que a matéria e a memória — a densa Prakriti — ditassem o ritmo dos meus dias. Mas, ao evocar o "Pare", ativei meu Buddhi, o intelecto superior que discerne e liberta. Decidi, então, mudar meu padrão e reconstruir minha vida, desconectando-me das energias de Tamas, essa inércia que nubla o crescimento e estagna o espírito.
Minha primeira atitude interior foi o exercício do discernimento, o Viveka: defini com firmeza o que realmente quero, ou, ao menos, firmei o propósito inabalável do que não quero mais. Essa escolha consciente filtrou as sombras e permitiu que a vida recuperasse o ritmo de Sattva, onde tudo flui com equilíbrio e luz. Por isso, a palavra "Pare" tornou-se para mim um portal de autoria e autoridade. Ela é tão ampla e sagrada que compreendo, agora, a necessidade de carregá-la comigo em todas as fases da jornada, como o leme que garante que eu não seja mais apenas o barco, mas a força consciente que escolhe o mar onde deseja navegar.

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