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Amor e Meditação

Amor e Meditação




On aime d’abord par hasard
Par jeu, par curiosité
Pour avoir dans un regard
Lu des possibilités
Et puis comme au fond de soi-même
On s’aime beaucoup
Si quelqu’un vous aime, on l’aime
Par conformité de goût
On se rend grâce, on s’invite
À partager ses moindres mots
On prend l’habitude vite
D’échanger de petits mots
Quand on a longtemps dit les mêmes
On les redit sans y penser
Et alors, mon Dieu, on aime
Parce qu’on a commencé

Tradução

A gente começa a amar
Por simples curiosidade,
Por ter lido num olhar
Certa possibilidade.
E como, no fundo, a gente
Se quer muito bem.
Ama quem ama somente
Pelo gosto igual que tem.
Pelo amor de amar começa
A repartir dor por dor,
E se habitua depressa
A trocar frases de amor.
E, sem pensar, vai falando
De novo as que já falou,
E então continua amando
Só porque já começou.”


Diz o poeta que começamos a amar por curiosidade, como quem abre uma janela para espiar o que o outro esconde no olhar. Esse início, humano e trêmulo, é o que a tradição védica chama de busca por conexão. No fundo, queremos bem a nós mesmos e buscamos no outro o "gosto igual" — um espelho que valide nossa própria existência. Mas o Prema não se contenta com o reflexo; ele é a luz que atravessa o vidro.

Enquanto o poema narra um amor que "se habitua depressa" e repete frases já ditas, a cultura hindu nos ensina que essa repetição não é cansaço, mas Bhakti (devoção). Quando trocamos "dor por dor", estamos, sem saber, lavando a alma do egoísmo. O hábito de amar, que o poeta descreve como algo que continua "só porque já começou", é o solo onde a semente do Prema germina.

O amor humano pode começar por um olhar de "certa possibilidade", mas o Prema é a impossibilidade que se faz real: é o amor incondicional (Aham Prema) que não pede nada em troca, nem mesmo a rima. Amar "porque já começou" é o reconhecimento de que o amor é uma correnteza; uma vez que entramos no rio, não somos mais nós que caminhamos, é a água que nos leva para o oceano da devoção suprema.

O poeta e o sábio hindu concordam: o amor é uma persistência. Um, pela doçura do costume; o outro, pela glória da entrega. No fim, as "frases de amor" repetidas são mantras silenciosos que nos preparam para o único amor que nunca termina, pois nunca teve um começo humano.

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