Você é capaz de amar Incondionalmente?
Não sei quanto a vocês, mas quanto a mim, sigo observando as flutuações da mente (Vrittis) que insistem em chamar de "amor" o que é apenas o desejo de permanência. Desde que estive na Índia, o sopro de Vayu não apenas derrubou minhas muralhas; ele varreu a poeira das definições. O que eu acreditava ser sólido — minha capacidade de entrega — revelou-se apenas mais uma construção do Ahankara, o ego.
Hoje, reencontrei um rastro desse passado. Alguém que personificava uma paixão rápida, um movimento de Kama (desejo) com data de validade imposta pela minha própria mente. O fim ocorreu quando a dualidade se tornou insuportável: ele buscava o "muito mais", e eu, percebendo que não havia Dharma que sustentasse aquela união, escolhi o silêncio. Na época, agi como quem foge, carregando o peso da autoria — a ilusão de que eu era a causa da dor alheia.
Mas, enquanto a mente tenta se refugiar em seminários ocidentais para justificar a falta, a voz do Tattva sussurra mais alto. O que eu chamava de "dar o que não se tem" é apenas a mecânica de Maya: dois egos trocando reflexos em um labirinto de espelhos. Ele não amava a mulher real, mas a Upasana (projeção) que criou para sustentar seu próprio desejo de ser um devoto impecável. Sua gratidão em "apenas sentir" não era desapego, mas a manutenção de uma imagem que o protegia do risco degradante da verdade.
Diferente do salto de Hanuman, que atravessa o oceano para servir à Realidade (Rama), o nosso encontro foi um mergulho na fantasia. Ele se tornou o amante perfeito de uma estátua; eu, a fugitiva de um altar onde nunca coube.
Saio desse encontro não com a "nobreza" do amor incondicional — essa belíssima armadilha da linguagem — mas com a clareza do Viveka (discernimento). Não há culpa quando se percebe que não há "quem" amar ou "quem" ser amado fora da ordem do absoluto. O que restou foi a leveza de quem reconhece o jogo das formas: uma dança onde o amor, às vezes, é apenas o nome elegante que damos à nossa recusa em enxergar o vazio no outro.
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