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A importância dos Olhos por Leonardo da Vinci x Trataka e o Yoga

A importância dos Olhos por Leonardo da Vinci x Trataka e o Yoga Ora, não percebeis que com os olhos alcançais toda a beleza do mundo? O olho, este senhor da astronomia e autor da cosmografia, foi exaltado por Leonardo Da Vinci como o príncipe das ciências e o fundamento de toda a correção artística. Contudo, essa mesma herança ocidental que celebrou a visão como o ápice do conhecimento acabou por consolidar o "cogito" — a supremacia de um pensamento que, ao tentar compreender o mundo, separou o corpo da mente. No Ocidente, o sujeito funda-se sobre uma fantasia de identidade, um "Eu" que se observa e se reconhece como uma imagem isolada. Aprendemos a observar a vida como espectadores distantes, transformando o olhar em uma ferramenta de vigilância e o corpo em um objeto a ser medido pela estética da forma. O Yoga, em sua essência oriental, propõe o caminho inverso da integração, alertando-nos que o olho é o sentido que mais nos trai justamente por alimentar essa fan...

Atividade Física, Exercício Físico, Educação Física e Hatha Yoga

Ultimamente tenho pensado muito sobre a confusão que se faz a respeito de atividade física, exercício físico, educação física, esportes e Hatha Yoga. Eu mesma já fiz muita confusão a respeito, até que...me aprofundei numa pesquisa para tentar dissipar as confusões. Algumas frases que ouvi: Quem pratica esporte não precisa de Yoga. Tem algum exercício no Yoga para perder barriga? Na academia vou trabalhar braços, com você gostaria de trabalhar perna. Meu abdómen precisa de reforço. Yoga é uma mistura de esportes, exercícios físicos e exercícios específicos da mente. Yoga é respiração consciente. Yoga é um trabalho de mente e corpo. Bem, o Hatha Yoga possui benefícios que refletirão na parte física certamente, porém, será que é este o objetivo principal? Quem pratica aula comigo passou por um pequeno "experimento laboratorial" para concluir que Hatha Yoga não é só corpo, portanto se você leitor não praticou, vale a pena experimentar e depois você poderá comparar com os demais...

Objetivo na vida?

Objetivo na vida? O encontro no Café Gerundino, ali onde o centro de São Paulo ainda sussurra ecos do Mosteiro de São Bento, foi o cenário para uma dessas derivas existenciais que ocorrem quando o Ser se despe da pressa. O lugar, refúgio para quem cultiva a filosofia, abriga também aqueles que lá estão apenas pelo repouso, o que é natural e sagrado — afinal, se todos tingissem a existência com o mesmo azul, o que seria da vastidão das cores? Entre xícaras e palavras, minha amiga e eu tecemos diálogos sobre a vida e as correntes que conduzem o indivíduo entre o cenário X e a circunstância Y. A conversa aqueceu-se quando ela, firme em seu Rajas — aquela agitação motora da ambição —, sentenciou que o insucesso humano nasce da carência de objetivos. Eu, habituada a buscar a dualidade em cada certeza, senti o peso dessa afirmação. Questionei se essa falta de motivação não seria, na verdade, uma reação à tirania do "Ter" objetivos, uma imposição que sufoca o rumo natural da vida an...

Sobre o Gozo, frase de Hilda Hilst no olhar da filosofia hindu

Sobre o Gozo, frase de Hilda Hilst no olhar da filosofia hindu “A paixão é a grossa artéria jorrando volúpia, é a boca que pronuncia o mundo, púrpura sobre a tua camada de emoções, escarlate sobre a tua vida, paixão é esse aberto do teu peito e também o teu deserto” (p. 29) do Livro "A Obscena Senhora D". A "grossa artéria" de Hilst é a manifestação da Spanda — a vibração primordial ou o latejo da consciência divina (Cit-Śakti) que, ao buscar a si mesma, projeta o universo como volúpia. Para Abhinavagupta, a paixão não é um pecado, mas o Rasa (a essência estética) em seu estado mais cru. É o momento em que o sujeito (Graha) se dissolve no objeto (Grahya) através do fogo do desejo. Quando a autora fala na "boca que pronuncia o mundo", ela evoca o conceito de Vāc (a Palavra Sagrada). No Rig Veda, a fala é o veículo da criação; a paixão de Hilst é a Vāc encarnada, o verbo que colore o vazio com o "púrpura" e o "escarlate" de Māyā-Śakti. Aq...

Um Errante, mas não tão Errante

Um Errante, mas não tão Errante  Certo dia, o chamado de uma amiga para "aquela gelada" trouxe a urgência de colocar o "tricô" em dia. Escolhemos o asfalto de um buteco qualquer, onde a contenção de despesas encontra a diversão do real. Falávamos de homens, o tema inevitável, até que uma figura exótica atravessou a calçada com um cãozinho de madame. O sujeito, um ator baiano de fala magnética e sonhos de Chef, acabou por lançar uma cantada em minha amiga. Quando o garçom sentenciou o "vamu fecha o ba", mudamos de balcão para a saideira, e foi ali, entre o avanço do ator e o silêncio do outro, que o acompanhante — o ex-skinhead — passou a existir. Ao puxar o fio da conversa, o que emergiu foi a densidade do adharma: aquela ação que desarranja a ordem das coisas, o passo dado fora da cadência universal. Ele entregou a crueza de quem habitou o descaminho, a xenofobia e o ódio; um ser humano atordoado pela opressão de uma sociedade cujas limitações ele mesmo a...

Grande dica para quem pretende praticar Yoga

"Você já sentiu que o Yoga não era para você por não ser 'calmo' ou 'flexível' o suficiente? Muitas vezes, a imagem comercial da prática nos afasta da sua verdadeira essência. O Yoga não é uma performance; é uma tecnologia de libertação. Nas próximas linhas, convido você a despir-se dos pré-julgamentos e descobrir como essa filosofia milenar pode nos ensinar, acima de tudo, a habitar o próprio centro em meio ao caos do mundo." Ouve-se, por entre os ecos das conversas vãs, o sussurro de que o Yoga pertence apenas aos calmos ou aos que possuem corpos de junco, flexíveis ao vento. Grande equívoco. Não se exige a perfeição física para atravessar o portal; o Yoga não pede normas estéticas, pede apenas a coragem de chegar como se é. Embora muitos busquem o tapete pela elasticidade, o Yoga Clássico ensina que o alicerce não reside na postura, mas na conduta. Antes do movimento, a tradição nos oferece os Yamas e Nyamas: bússolas éticas para o mundo externo e para o al...

Tudo depende de um ponto de vista - Parte II

No silêncio de um retiro, onde o corpo se faz templo e o fôlego se torna oração, brotou uma inquietação sobre as aparentes distâncias entre as margens do Samkhya e do Vedanta. De um lado, o olhar que divide para compreender; do outro, o olhar que funde para ser. Diante dessa encruzilhada de conceitos, surgiu uma sabedoria simples e vasta: a de que a verdade não se altera pelo ponto de vista, mas sim pela altura de quem observa. É como o caminhante que contempla a montanha. Quem está na base, entre as raízes e as pedras, descreve o terreno em suas ranhuras e detalhes necessários, discernindo cada sombra e relevo. Mas quem atinge o cume, banhado pelo horizonte, enxerga apenas a unidade da paisagem, onde as trilhas se perdem no todo. Ambas as visões são legítimas, pois descrevem o mesmo solo; ambas são necessárias, pois são a mesma jornada vista de altitudes distintas. Perder-se no labirinto das discussões intelectuais é, por vezes, esquecer que os pés buscam o mesmo destino. Se o objetiv...