Logo que as férias chegaram ao fim e o ritmo cotidiano começou a reivindicar seu espaço, recebi um telefonema da Renata, do portal eyoga, solicitando algumas orientações sobre a respiração Bhástrika, o que me fez refletir sobre como essa técnica é um pilar fundamental nas aulas que ministro. Eu procuro incentivar a prática do Bhástrika não apenas como um exercício mecânico, mas como um remédio natural para aqueles alunos que sofrem com o ressecamento dos seios nasais devido às mudanças bruscas de temperatura, ou com o incômodo acúmulo de muco decorrente do consumo de laticínios e quadros de rinite. Ao aplicar essa técnica logo no início da aula, percebo uma transformação imediata no ambiente, pois os alunos oxigenam o corpo de forma profunda e elevam seus níveis de energia, algo indispensável neste momento de retorno em que precisamos de um impulso extra para retomar as atividades com vigor. Tenho também o cuidado de associar essa respiração a práticas que promovem a limpeza do estômago e do fígado, compreendendo que, após as festas de final de ano, nossos ritmos biológicos estão alterados pelas viagens, pela alimentação e pelas mudanças no sono, e para quem deseja se aprofundar nessa jornada, o site do eyoga oferece o caminho detalhado.
Essa necessidade de purificação nos conduz ao coração do Hatha Yoga, onde o corpo é revelado como uma forja divina e a alma se purifica pelo fôlego sagrado que emana das profundezas do ser. O Bhástrika, o fole do ferreiro, não nasce apenas nos pulmões, mas nas profundezas do plexo solar, onde o fogo de Agni aguarda o sopro para transmutar a inércia em luz, fazendo com que o praticante se torne o próprio mestre de sua existência ao soprar as brasas do prana para que a energia vital circule sem obstáculos por cada nádi. Cada inspiração vigorosa é um comando de presença absoluta e cada exalação é um trovão que dissipa as névoas da mente embotada, criando um vaivém incessante onde o calor gerado derrete as tensões do ego e liquefaz as toxinas que pesam sobre os órgãos internos. O ar atravessa as narinas como um vento impetuoso que varre os desertos da alma, devolvendo o frescor aos canais da face e a clareza ao olhar, até que, ao cessar o esforço, reste apenas o vazio pleno onde o tempo parece parar. Nesse estado de suspensão doce da consciência, o sangue pulsa em harmonia com o universo, sentindo o corpo plenamente desperto, vibrante e renovado pelo fogo que o próprio sopro acendeu na imensidão do templo interior.
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