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Como é duro andar de ônibus em S. Paulo

Esta é uma correspondência que enviei para Milton Jung, jornalista âncora do Programa CBN S. Paulo.

Gostaria de retratar algumas coisas que pude perceber nos percursos que realizo de ônibus, em geral, circulo pela Av. Brigadeiro Luís Antonio centro até o Itaim ou Brigadeiro Luís Antonio para Morumbi.

Em geral utilizo muito a linha Terminal Capelinha. Esta linha possui veículos com designer muito esquisito e na minha opinião, super mal planejados.

Apesar de oferecerem conforto para embarque porque os degraus não são altos, não facilitaram as coisas quando desenvolveram escadas no espaço que antecede a catraca ou o espaço que nos conduz ao fundo do ônibus, as vezes, o fundo do ônibus é onde está localizada a única porta para desembarque.

As poltronas deste tipo de veículo são mais estreitas, reduziram os assentos e há pouco conforto nos encostos, digo, não há como manter boa postura com tais poltronas. Há braços fixos dos quais somados a falta de espaço impedem a mobilidade de quem opta por sentar ao lado da janela.

Entendo que este tipo de designer atende os portadores de necessidades especiais, porém com a grande demanda que esta linha possui acho que não está ajudando em muita coisa, em verdade a demanda não é atendida e quando somado a outros problemas como: buracos na Av. Brigadeiro Luís Antonio, motoristas estressados que freiam bruscamente, costuram ou exageram na velocidade, torna o percurso do ônibus algo super estressante.

Em menos de 2 meses já presenciei duas pessoas que caíram no ônibus, todas por conta de freadas bruscas, uma delas bateu a cabeça na lateral de uma poltrona, aparentemente nada aconteceu com ela, mas obviamente poderia ocorrer algo mais sério. Eu mesma caí em cima de alguém outro dia por conta de uma costurada.

E por falar em grosseria, na sexta-feira retrasada fui vítima de um motorista estressado nesta mesma linha. Solicitei a parada do ônibus antecipadamente, pois gostaria de descer no último ponto da Brigadeiro Luís Antonio, porém meus objetivos e de mais duas passageiras não foram atingidos. O motorista só parou o veículo, creio eu, porque fechou o semáforo, mesmo assim foi fora do ponto e ficamos literalmente no meio da rua porque ele ultrapassou uma fila de ônibus.

Como ele teve de parar por conta do semáforo, aproveitei a deixa e fui para calçada tentar fotografar a ocorrência, mas logo que o estressado percebeu minha atitude buzinou, xingou e me mostrou até o dedo do meio, quando ele abriu a porta do ônibus e se levantou se sua poltrona, fiquei com medo, pois naquele momento tive a certeza que ele ia me pegar na porrada na calçada. Bem, nem preciso dizer que o medo me levou ao insucesso do registro da ocorrência pela foto, a única coisa que pude fazer foi sair daquele lugar o mais rápido que pude.

Fico imaginando como é a vida de outras pessoas que assim como eu, saem de casa para trabalhar e enfrentam tais condições. Deve haver muitos casos destes em outras linhas. Não há Ser que consiga suportar tamanho estresse.

Penso que o melhor transporte ainda é o metro, apesar de também não atender a demanda, porém é mais rápido, mais seguro e as pessoas não sofrem outros desconfortos como estes que citei com o ônibus, se bem que não utilizo trem, acho que neste caso alguém poderia relatar algo.

De um modo geral, todo o transporte deve ser melhorado e novas opções devem ser ofertadas para melhorar a vida do cidadão paulistano que utiliza o transporte público.

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