Vivência com Trataka em setembro 2009
Neste sábado através do Instituto Nicole Witek, realizei um workshop sobre "Yoga para os Olhos", ou "Resgate da Visão Ocular. Muito mais do que uma proposta fisiológica, o workshop chama a atenção para as propriedades da visão e como conseguimos usá-la nos modos de vida atuais.
O workshop foi baseado nas técnicas de Trataka.
Trataka significa “fixar o olhar”. A aplicação limpa e exercita os músculos dos nervos ópticos, além de descansar a vista e promover um bom relaxamento.
Existem muitos exercícios de trataka, alguns com a visualização de figuras geométrica e outras com a fixação do olhar em alguma parte do corpo ou em uma chama de vela.
As primeiras descrições sobre trataka fazem referência do uso de uma lamparina com óleo de castor que produzia um brilho e luminosidade especiais.
O olho para os hindus representa um elemento da natureza que é o fogo, sendo que, pela luz a figura é manifestada e pelo calor a forma é reconhecida, figura e forma formam a aparência de um objeto.
Segundo a pesquisa que fiz sobre anatomia dos olhos:
O globo ocular se encontra numa cavidade ossea que é protegido pelas pálpebras, contém 6 músculos que são responsáveis pelos movimentos oculares.
Contém 3 camadas concentricas que se aderem entre si e que são responsáveis pela proteção, visão e nutrição. Na parte externa encontramos a esclera que serve para proteger. Na parte média(região vascular) encontramos a íris, a coróide, o cório ou uvea ou corpo ciliar, na parte interna está a retina responsável pela parte nervosa.
O cristalino é uma espécie de lente que fica dentro de nossos olhos. Está situado atrás da pupila e orienta a passagem da luz até a retina.
A retina é composta de células nervosas que leva a imagem através do nervo óptico para que o cérebro as interprete.
A luz, quando chega à retina, estimula a camada de cones e bastonetes, que originam ondas elétricas que se transmitem pelo nervo óptico.
O nervo óptico entra no cérebro e dirige-se a região responsável pela visão onde se processa o fenômeno de "formação das imagens".
Cada olho recebe e envia ao cérebro uma imagem, no entanto, vemos os objetos como um só, devido à capacidade de fusão das imagens em uma só.
Tudo isto me fez pensar que os hindus estavam corretos, se os olhos são uma das representações do elemento fogo como citei lá em cima, logo figura e forma criam a aparência do objeto.
O Norte deste workshop é que nenhum Ser é uma ilha. Neste Universo que habitamos onde há muitos seres e fenômenos que nossa mente lógica desconhece, não há como explicá-los. Talvez a tentativa de explicá-los no leve a cegueira. O estresse, o cansaço a ausência de sonhos e estímulos de nosso lado abstrato nos afastam da tranquilidade e ganhamos alfições.
Quando percebemos não só a importância de nosso lado lógico e abrimos espaço para própria abstração, entramos num processo de mistificação, e neste processo é que conseguimos de uma forma ou de outra achar mais sentido na vida, seja seguindo a intuição, seja buscando naturalmente estados de meditação. Estados estes que podem ser estimulados quando olhamos para o horizonte, para o mar, para o rio, jardim; quando ouvimos uma música e etc.
O workshop foi um convite e uma ferramenta para o “se auto-conhecer” e a partir daí tentar seguir na fluidez do Universo com o mínimo de turbulências.
Abaixo divido algo que uma das participantes do workshop “Tati Bicalho” postou sobre este workshop.
O Fotógrafo e o Poeta
Fonte:
Antonio Caetano
Tribuna da Imprensa
9 de agosto de 2004
Uma historinha colhida há tempos na internet ilustra com precisão a importância do olhar de Cartier-Bresson para a invenção disso que a comodidade nos obriga a chamar de século X - mas que, na verdade, acabou mais ou menos na mesma época em que Cartier-Bresson desinteressou-se de fotografá-lo.
Conta à historinha que, um dia, Cartier-Bresson recebeu um telefonema surpreendente: do outro lado da linha, estava ninguém menos do que Jorge Luis Borges, que lhe perguntava se aceitaria a indicação para um prêmio. Oferecido por uma rica mulher que vivia na Sicília, o prêmio se distinguia por uma característica muito particular: a indicação do ganhador era feita pelo premiado anterior.
"E por que escolheu a mim?", perguntou Cartier-Bresson.
A resposta de Borges pode ser tomada como um prelúdio do que virá a seguir. Traz de todo modo, a marca borgiana da poesia e da surpresa.
"Porque sou cego", respondeu Borges. "E quero dá-lo a você em reconhecimento aos teus olhos".
Por mais injusto que possam parecer os prêmios, como notou Drummond em um poema, Cartier-Bresson não poderia recusar a indicação de Borges. A indicação valia mais do que o prêmio.
Ao chegar a Palermo, o fotógrafo foi hospedado em um antigo e tradicionalíssimo hotel. O nome, a arquitetura lhe pareceram familiares. Não lhe terá custado muito descobrir o porquê. Tinha sido naquele hotel que seus pais haviam passado sua lua-de-mel. Como ele havia nascido exatos nove meses depois, concluiu maravilhado que fora concebido ali. Sentiu que um círculo, secreto e íntimo, se fechava: seus olhos o haviam trazido de volta à origem. E fora guiado por um cego.
Não lhe terá escapado que se tornara mais um personagem de Borges. Não me consta que haja de Borges alguma foto feita por Cartier-Bresson.
Guardei também de Cartier-Bresson uns trechos de entrevista dada quando ele tinha 91 anos e que, só reparo agora ao escrever, podem servir de fundamento à tese de que Cartier-Bresson foi o fotógrafo de um século XX que acabou por volta dos anos 80 (e que bem se poderia ter começado em 1907, quando Henri foi gerado naquele hotel de Palermo, e Picasso finalizou seu "Les mademoiselles d'Avignon").
Seguem as palavras de Cartier-Bresson:
"Desde a juventude sou um revolucionário. O que me admira é que hoje não existam mais revolucionários. Hoje as pessoas repudiam tudo, vivemos num mundo niilista. A anarquia não é um modo de vida niilista, é o contrário."
"As pessoas estão impregnadas por mundo cyber, não têm mais contato com a realidade. Não há mais uma entrega. É o fim do artesanato. E o contato com o real é maravilhoso. Quero dizer, é a satisfação absoluta, como um orgasmo."
Não preciso dizer mais nada. Melhor ainda: é hora de me calar.
O workshop foi baseado nas técnicas de Trataka.
Trataka significa “fixar o olhar”. A aplicação limpa e exercita os músculos dos nervos ópticos, além de descansar a vista e promover um bom relaxamento.
Existem muitos exercícios de trataka, alguns com a visualização de figuras geométrica e outras com a fixação do olhar em alguma parte do corpo ou em uma chama de vela.
As primeiras descrições sobre trataka fazem referência do uso de uma lamparina com óleo de castor que produzia um brilho e luminosidade especiais.
O olho para os hindus representa um elemento da natureza que é o fogo, sendo que, pela luz a figura é manifestada e pelo calor a forma é reconhecida, figura e forma formam a aparência de um objeto.
Segundo a pesquisa que fiz sobre anatomia dos olhos:
O globo ocular se encontra numa cavidade ossea que é protegido pelas pálpebras, contém 6 músculos que são responsáveis pelos movimentos oculares.
Contém 3 camadas concentricas que se aderem entre si e que são responsáveis pela proteção, visão e nutrição. Na parte externa encontramos a esclera que serve para proteger. Na parte média(região vascular) encontramos a íris, a coróide, o cório ou uvea ou corpo ciliar, na parte interna está a retina responsável pela parte nervosa.
O cristalino é uma espécie de lente que fica dentro de nossos olhos. Está situado atrás da pupila e orienta a passagem da luz até a retina.
A retina é composta de células nervosas que leva a imagem através do nervo óptico para que o cérebro as interprete.
A luz, quando chega à retina, estimula a camada de cones e bastonetes, que originam ondas elétricas que se transmitem pelo nervo óptico.
O nervo óptico entra no cérebro e dirige-se a região responsável pela visão onde se processa o fenômeno de "formação das imagens".
Cada olho recebe e envia ao cérebro uma imagem, no entanto, vemos os objetos como um só, devido à capacidade de fusão das imagens em uma só.
Tudo isto me fez pensar que os hindus estavam corretos, se os olhos são uma das representações do elemento fogo como citei lá em cima, logo figura e forma criam a aparência do objeto.
O Norte deste workshop é que nenhum Ser é uma ilha. Neste Universo que habitamos onde há muitos seres e fenômenos que nossa mente lógica desconhece, não há como explicá-los. Talvez a tentativa de explicá-los no leve a cegueira. O estresse, o cansaço a ausência de sonhos e estímulos de nosso lado abstrato nos afastam da tranquilidade e ganhamos alfições.
Quando percebemos não só a importância de nosso lado lógico e abrimos espaço para própria abstração, entramos num processo de mistificação, e neste processo é que conseguimos de uma forma ou de outra achar mais sentido na vida, seja seguindo a intuição, seja buscando naturalmente estados de meditação. Estados estes que podem ser estimulados quando olhamos para o horizonte, para o mar, para o rio, jardim; quando ouvimos uma música e etc.
O workshop foi um convite e uma ferramenta para o “se auto-conhecer” e a partir daí tentar seguir na fluidez do Universo com o mínimo de turbulências.
Abaixo divido algo que uma das participantes do workshop “Tati Bicalho” postou sobre este workshop.
O Fotógrafo e o Poeta
Fonte:
Antonio Caetano
Tribuna da Imprensa
9 de agosto de 2004
Uma historinha colhida há tempos na internet ilustra com precisão a importância do olhar de Cartier-Bresson para a invenção disso que a comodidade nos obriga a chamar de século X - mas que, na verdade, acabou mais ou menos na mesma época em que Cartier-Bresson desinteressou-se de fotografá-lo.
Conta à historinha que, um dia, Cartier-Bresson recebeu um telefonema surpreendente: do outro lado da linha, estava ninguém menos do que Jorge Luis Borges, que lhe perguntava se aceitaria a indicação para um prêmio. Oferecido por uma rica mulher que vivia na Sicília, o prêmio se distinguia por uma característica muito particular: a indicação do ganhador era feita pelo premiado anterior.
"E por que escolheu a mim?", perguntou Cartier-Bresson.
A resposta de Borges pode ser tomada como um prelúdio do que virá a seguir. Traz de todo modo, a marca borgiana da poesia e da surpresa.
"Porque sou cego", respondeu Borges. "E quero dá-lo a você em reconhecimento aos teus olhos".
Por mais injusto que possam parecer os prêmios, como notou Drummond em um poema, Cartier-Bresson não poderia recusar a indicação de Borges. A indicação valia mais do que o prêmio.
Ao chegar a Palermo, o fotógrafo foi hospedado em um antigo e tradicionalíssimo hotel. O nome, a arquitetura lhe pareceram familiares. Não lhe terá custado muito descobrir o porquê. Tinha sido naquele hotel que seus pais haviam passado sua lua-de-mel. Como ele havia nascido exatos nove meses depois, concluiu maravilhado que fora concebido ali. Sentiu que um círculo, secreto e íntimo, se fechava: seus olhos o haviam trazido de volta à origem. E fora guiado por um cego.
Não lhe terá escapado que se tornara mais um personagem de Borges. Não me consta que haja de Borges alguma foto feita por Cartier-Bresson.
Guardei também de Cartier-Bresson uns trechos de entrevista dada quando ele tinha 91 anos e que, só reparo agora ao escrever, podem servir de fundamento à tese de que Cartier-Bresson foi o fotógrafo de um século XX que acabou por volta dos anos 80 (e que bem se poderia ter começado em 1907, quando Henri foi gerado naquele hotel de Palermo, e Picasso finalizou seu "Les mademoiselles d'Avignon").
Seguem as palavras de Cartier-Bresson:
"Desde a juventude sou um revolucionário. O que me admira é que hoje não existam mais revolucionários. Hoje as pessoas repudiam tudo, vivemos num mundo niilista. A anarquia não é um modo de vida niilista, é o contrário."
"As pessoas estão impregnadas por mundo cyber, não têm mais contato com a realidade. Não há mais uma entrega. É o fim do artesanato. E o contato com o real é maravilhoso. Quero dizer, é a satisfação absoluta, como um orgasmo."
Não preciso dizer mais nada. Melhor ainda: é hora de me calar.
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