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Qualidade de Vida?

Qualidade de Vida? "Ultimamente, a 'Qualidade de Vida' tornou-se uma roupa de grife usada para vestir o vazio. O termo esgarçou-se, transformando-se em um cadáver maquiado pelo marketing do bem-estar. Basta folhear uma revista para encontrar essa miragem lucrativa: vendem-nos a ideia de que a plenitude cabe em um pote de iogurte ou que a felicidade é um acessório de vitrine. É uma armadilha de seda, pois tenta convencer o ser humano de que a vida se resolve no caixa. Mas o que resta quando removemos a embalagem? Antes de prosseguir, deixo-lhe o questionamento: Você possui qualidade de vida ou apenas uma vida com verniz de qualidade? O assunto é um labirinto de espelhos. É difícil encontrar o fio de Ariadne para começar este texto." "Sobreviver exige o básico: o teto, o pão, o pano. Mas na engrenagem do consumo, fomos ensinados a passar fome de coisas inúteis. Para que a vida tenha qualidade, a sociedade precisa de ética — não como um código frio, mas como uma mo...

Consumo?

Consumo? Afinal, você leva para casa o que realmente precisa? Somos livres pensadores, embora muitas vezes esqueçamos disso para atender aos apelos de uma publicidade que, de forma pouco ética, promove produtos tóxicos. Cuidar da Terra não é apenas uma missão de povos originários; é uma obrigação de todos para manter o planeta habitável. Até quando seremos escravos das gôndolas, medindo nossas necessidades por réguas alheias? É preciso analisar o meio ambiente como um todo, compreendendo o mundo globalizado. Muitas vezes, não temos ideia de que, para certos produtos existirem, são necessários recursos naturais e extrações minerais custeadas por terceiros. Celulares que parecem "baratos" ou saem "de graça" em contratos de operadoras escondem um custo invisível: pode ser a mão de obra análoga à escravidão em outro continente ou vilarejos que pagaram com sua biodiversidade pela extração da matéria-prima. Quem realmente custeia o descarte? Qual região do globo recebe o ...

Um panorama sobre os usuários de transporte coletivo

Sou passageira de percursos marcados pelo asfalto e pelo cansaço. Entre o coração da Brigadeiro Luís Antônio e o destino que oscila entre o Itaim e o Morumbi, traço minha rotina sob o signo da linha Terminal Capelinha. Ali, o transporte se apresenta sob um design esquisito, uma arquitetura do equívoco, onde a estética e a lógica parecem ter brigado no papel. O ônibus nos seduz com degraus baixos, um convite suave ao embarque, para logo depois nos trair com escadas internas que brotam antes da catraca, degraus que nos empurram ao fundo do veículo, onde a porta de desembarque se esconde, solitária. As poltronas são sentenças de imobilidade: estreitas, com encostos que negam a espinha e braços fixos que aprisionam quem escolhe a janela. Dizem que o desenho atende à inclusão, mas na urgência da demanda, o que se vê é a exclusão do conforto. O trajeto é um combate. O solo da Brigadeiro, ferido por buracos, soma-se ao humor de motoristas que conduzem não pessoas, mas fardos. São frenagens qu...

Cuidar de Si mesmo

Cuidar de Si mesmo Às vezes, a vida nos atropela sem que percebamos a placa do caminhão. No silêncio de um retiro de desintoxicação ayurvédica no interior de São Paulo, entre práticas de Yoga e o amparo de terapeutas dedicados, fui confrontada com a minha própria negligência. O texto a seguir é o registro desse despertar — uma investigação sobre onde termina o nosso auxílio ao outro e onde deve, obrigatoriamente, começar o zelo por nós mesmos. Cuidado significa atenção, zelo ou cautela. Pergunto-me, então, neste final de outubro que agora se despede: quanto tenho cuidado de mim e quanto tenho me negligenciado? Foi nesta fase mais adulta que me dei conta de que cuidei muito pouco de mim nestes últimos tempos, e embora sinta que vou maturando, reconheço que ainda há muito o que desbravar nesse solo interno. O meu traço de personalidade, somado à profissão, fez de mim uma ouvinte paciente, mas aprendi que cada um possui um limite intransponível. No processo de ajudar o outro, entendo agor...

A grande arte de respirar

A grande arte de respirar Arte significa técnica ou habilidade, geralmente ligada à estética feita por artistas a partir de manifestações de emoções ou ideias. Tem como objetivo atrair espectadores conscientes para um significado único e diferente a cada obra de arte. Sob este olhar, sempre considerei o processo de respirar uma arte; primeiro porque para respirar corretamente é necessária habilidade, segundo porque a respiração é o reflexo das emoções e ideias que nos acometem, e terceiro porque respirar conscientemente tem um significado único que é alimentar o grande dom da vida. Respirar é o processo pelo qual um organismo vivo troca oxigênio e dióxido de carbono com seu meio ambiente, seja através da pele, das narinas e até mesmo da boca. Quando bebês, na respiração, somos capazes de encher toda a barriguinha de ar, inclusive conseguíamos reter este ar por alguns segundos no corpo; tudo ocorria naturalmente sem a instrução da "mama". Não sei se existe tal relação, mas alg...

Comer ou Não Comer Carne, That is the question??

Desde de criancinha o grande embate entre mim e minha mãe era...Consumir o maldito bife acebolado mal passado. O fato é que cozido, bem cozido, de primeira ou de segunda, não fazia diferença. Consumir carne para mim sempre foi um sacrifício. A minha intimidade com comida também não era muito diferente. Apesar de passar horas de castigo por várias vezes em frente ao prato, não solucionou o meu problema, sou ruim de prato mesmo. Diz minha mãe que esta nunca me foi a hora sagrada, sempre que ela me chamava para comer eu fazia cara feia e resmungava muito, e quando a refeição estava acompanhada de carne então, pior ainda, isto era um suplício. É estranho imaginar que alguém possa pensar e agir assim. Meu prazer estava comer as coisas coloridas, cenouras, a mandioquinha, o brocólis "mal passado" e etc. É caro leitor, você até pode me comparar com aquela criança de um certo comercial que afirmava: - Mãe compra brocólis! Talvez ela exista uma em um milhão, mas que existe, existe e ...

A importância dos Olhos por Leonardo da Vinci x Trataka e o Yoga

A importância dos Olhos por Leonardo da Vinci x Trataka e o Yoga Ora, não percebeis que com os olhos alcançais toda a beleza do mundo? O olho, este senhor da astronomia e autor da cosmografia, foi exaltado por Leonardo Da Vinci como o príncipe das ciências e o fundamento de toda a correção artística. Contudo, essa mesma herança ocidental que celebrou a visão como o ápice do conhecimento acabou por consolidar o "cogito" — a supremacia de um pensamento que, ao tentar compreender o mundo, separou o corpo da mente. No Ocidente, o sujeito funda-se sobre uma fantasia de identidade, um "Eu" que se observa e se reconhece como uma imagem isolada. Aprendemos a observar a vida como espectadores distantes, transformando o olhar em uma ferramenta de vigilância e o corpo em um objeto a ser medido pela estética da forma. O Yoga, em sua essência oriental, propõe o caminho inverso da integração, alertando-nos que o olho é o sentido que mais nos trai justamente por alimentar essa fan...