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Felicidades aos Namorados

Felicidades aos Namorados Tempos atrás, mesmo quando o coração encontrava par, eu nutria um "bode" visceral e altivo pelo Dia dos Namorados. Sob o abrigo de um discurso exigente e por vezes prepotente, eu sentenciei que o afeto não carecia de calendários nem de fetiches materiais. Aos meus olhos de outrora, a data era apenas uma engrenagem fria da máquina comercial, um palco de plástico para sentimentos que deveriam ser livres. Eu vivia o meu próprio mito de Shiva isolado, o asceta que, do topo de seu Kailash intelectual, desprezava as convenções do mundo e as celebrações da matéria, acreditando que a verdade residia apenas na meditação solitária e na negação do supérfluo. Eu acalentava a crença de que as demonstrações de amor deveriam brotar como flores silvestres, vindas diretamente das profundezas do peito, sem o compasso do relógio social. Afinal, sou feita desse barro: adoro subverter o calendário, bordar surpresas em dias comuns e arquitetar situações para o encantamen...

Você é capaz de amar Incondionalmente?

Você é capaz de amar Incondionalmente? Não sei quanto a vocês, mas quanto a mim, sigo observando as flutuações da mente (Vrittis) que insistem em chamar de "amor" o que é apenas o desejo de permanência. Desde que estive na Índia, o sopro de Vayu não apenas derrubou minhas muralhas; ele varreu a poeira das definições. O que eu acreditava ser sólido — minha capacidade de entrega — revelou-se apenas mais uma construção do Ahankara, o ego. Hoje, reencontrei um rastro desse passado. Alguém que personificava uma paixão rápida, um movimento de Kama (desejo) com data de validade imposta pela minha própria mente. O fim ocorreu quando a dualidade se tornou insuportável: ele buscava o "muito mais", e eu, percebendo que não havia Dharma que sustentasse aquela união, escolhi o silêncio. Na época, agi como quem foge, carregando o peso da autoria — a ilusão de que eu era a causa da dor alheia. Mas, enquanto a mente tenta se refugiar em seminários ocidentais para justificar a falta...

Pare

Pare Houve um dia em que me vi mergulhada no fluxo de situações que insistiam em se repetir, como ecos de uma canção antiga que eu já não desejava ouvir. Após longos dias em silêncio, de uma análise que atravessou as camadas da alma, cheguei a uma única palavra, absoluta e necessária: "Pare". Ao desenvolver esse pensamento, percebi que esse silenciar era o despertar do meu Purusha, a consciência que observa além do movimento. Parei e observei tudo à minha volta, questionando se as repetições eram fios tecidos pelo passado, e a resposta ressoou com clareza: sim, é muito provável. Não se tratava apenas de uma conexão com eventos idos, mas de uma amarra profunda aos Samskaras, aquelas sequelas e impressões que o tempo gravou em meu ser. Compreendi que, ao não refletir, eu permitia que a matéria e a memória — a densa Prakriti — ditassem o ritmo dos meus dias. Mas, ao evocar o "Pare", ativei meu Buddhi, o intelecto superior que discerne e liberta. Decidi, então, mudar me...

Sim Sou Focada mas...

Sim Sou Focada mas... Assim que voltei da Índia, no começo de fevereiro de 2012, muitas pessoas que encontrei me disseram: — "Nossa, como você é focada! Você idealizou sua ida e realizou. Você conseguiu ir para a Índia, nem acredito!" Confesso que estas frases me deixaram com medo. Medo porque me preocupo com este tipo de pensamento que simplifica o processo. É uma doce ilusão pensar na viagem apenas pela viagem, ou focar meramente no resultado da conquista. Afinal, o que será que passei — e o que ainda estou passando — para realizar esta jornada? O fato de ter realizado "a viagem" tem relação direta com minha prática pessoal de Yoga; isso transformou minha vida. A mente focada e a energia de conquista se solidificaram em 11 anos de prática. É uma jornada pequena para quem pensa, como eu, que todos os dias há sempre o que aprender. Para o Samkhya, somos o observador (Purusha) aprendendo a não se escravizar pelas flutuações da natureza (Prakriti), e minha viagem foi...

Astrologia para que?

Astrologia para que? Você já sentiu como um viajante que carrega um mapa indecifrável, onde cada coordenada, em vez de iluminar o caminho, apenas aumenta o peso da bagagem? Muitas vezes naufragamos em um mar de termos técnicos, sufocados por um "Mercúrio nervoso" ou posicionamentos que parecem sentenças frias para nossa espontaneidade. É um incômodo silencioso sentir a vida reduzida a etiquetas de prateleira, onde a complexidade da alma é traduzida por definições que não conversam com o coração, transformando o que deveria ser uma bússola de autoconhecimento em um labirinto de espelhos distorcidos e sem vida. Essa sede por profundidade me levou a mergulhar nos estudos, mas a resposta não veio no tempo das minhas expectativas, e acabei trocando os mapas celestes pelo tapete de Yoga. Contudo, o céu nunca deixou de me observar, pois o universo fala através de uma gramática sagrada que nem sempre estamos prontos para ouvir: o simbolismo. Eu era aquela que buscava nos outros as re...

Razão para ir a India?

Razão para ir a India? Quando ainda estava fazendo minha formação de Yoga, lembro-me bem dos comentários sobre a Índia. Tudo parecia envolto em mistérios e um romantismo quase magnético; aquilo gerava uma vontade danada de pegar o primeiro voo. Tudo ao meu redor cooperava com esse impulso: eu estava mergulhada na filosofia do Yoga, cheia de informações frescas e sentindo um universo inteiro a desbravar, movida por aquela ânsia típica do praticante iniciante de aprender e compartilhar. Mas, mesmo com esses estímulos e uma certa "falsa vontade", o tempo passou e concluí que, na verdade, eu não tinha motivo real para aquela viagem. Eu via os outros irem e voltarem, narrarem suas histórias cheias de desafios ou de êxtases românticos, enquanto minha vida seguia outros ritmos. Certo dia, porém, um chamado diferente bateu à minha porta. Investi em pesquisas, visitei o site do Pedro Kupfer e li suas dicas elegantes e conclusivas — que, aliás, recomendo a qualquer um, junto com o indi...

Sadhana " a prática espiritual"

Sadhana " a prática espiritual" Prática é aquilo que adotamos até se tornar um hábito. Pode ser uma sequência de regras, como o Yoga de Patanjali, mas requer entrega e aceitação. Sem dedicação, a jornada longa resulta apenas em insucesso. Repetir exercícios sem presença ou por puro exibicionismo é um "hábito osmótico" — como preces vazias que não alcançam o céu. O Sadhana exige atenção e vontade para transcender limitações. É nesse caminho que a dúvida se esvai e a confiança surge. Embora seja uma jornada solitária que exige orientação, deve ser percorrida diariamente com o coração aberto e honestidade total. Quebrar a prática gera retrocessos inevitáveis, como uma dieta interrompida. É vital entender a proposta real do que se pratica. Cuidado com modismos estimulados pela mídia; eles costumam aumentar a dúvida e afastar da espiritualidade autêntica. Antes de adotar uma nova prática, estude sua origem e contexto, confrontando-os com sua realidade. Muitas vezes, não ...